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Opinião

Carga fatal

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A carga tributária brasileira é uma das mais elevadas do mundo e não poupa sequer as micros e pequenas empresas. Todos os governos recentes prometeram, uns mais outros menos, que reduziriam os impostos incidentes sobre os empreendimentos desse importante setor. Na prática, pouco foi feito para aliviar o peso dos impostos, o que contribui para abreviar o ?tempo de vida? dessas empresas. A pesquisa ?Fatores Condicionantes e Taxa de Mortalidade de Empresas no Brasil?, realizada pelo Sebrae mostra, com base em informações das juntas comerciais estaduais, que das 1,3 milhão de micros e pequenas empresas criadas entre 2000 e 2002, quase metade (49,4%) fechou antes de completar dois anos. As que sobreviveram estão sendo responsáveis por 2,4 milhões de empregos e por algo em torno de R$ 19,8 bilhões de investimentos. Além da elevada carga tributária, o estudo mostrou que contribuem também para a grande mortalidade das micros e pequenas empresas outros velhos problemas: a falta de conhecimentos específicos de gerenciamento (mercado e vendas) e a ausência de capital de giro. Um dado preocupante levantado pela pesquisa indica que os investimentos em abertura de novas micros e pequenas empresas no país são em sua maioria (74%) originários da poupança das famílias e, quando essas empresas fecham, 82% delas conseguem recuperar apenas metade do que foi investido. Como reza a filosofia popular, ?além de queda, coice?. Muitos fatores se combinam para causar tão alta mortandade de empresas. Um desses fatores é o despreparo do candidato a empreendedor, que muitas vezes busca esse caminho por simples falta de opção, depois de ter sido colhido pelo desemprego. É indispensável a ampliação dos programas específicos de capacitação empresarial voltados para esse segmento, política de formação essa já colocada em prática por instituições como o Sebrae, mas ? como em toda atividade ? não basta a teoria, por mais correta que seja. Ao ser levada à prática, aí sim, é que surgem os obstáculos. Entre esses óbices, a alta carga tributária e a burocracia destacam-se como os mais demolidores. Antes de qualquer outra coisa, para que o empreendimento de pequeno porte possa jogar seu grande papel na economia brasileira, são necessárias e urgentes mudanças radicais na visão e na prática tributária para essas empresas. Sem isso, a mortalidade empresarial entre os pequenos continuará a crescer.

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