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Opinião

Bem arranjados

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Uma febre tomou conta do Brasil. Ouve-se falar de ?arranjos produtivos? do Oiapoque ao Chuí, como antigamente se dizia. O rótulo em questão pode ser traduzido como organizações de produtores pertencentes a elos, ou a totalidade, de uma mesma cadeia produtiva numa determinada região. Vistos dessa maneira, os denominados ?arranjos produtivos? não diferem em nada de outras iniciativas visando otimizar as potencialidades de um investimento, que por suas características específicas, sejam culturais ou econômicas, possam ser aproveitados de tal forma que um número maior de pessoas possa usufruir de seus benefícios. No governo FHC ensaiou-se o mesmo processo só que com uma denominação mais adequada aos ocupantes do poder da época: clusters. Para ter sucesso os ?arranjos produtivos locais? precisam contar com uma rede de solidariedade capaz de prover ganhos de eficiência através da atuação conjunta de diversos setores situados na mesma região, expandindo inovações e multiplicando a colaboração entre os diversos elos de uma mesma cadeia produtiva. Apesar da proliferação dos arranjos produtivos locais (estudo do Ministério do Desenvolvimento identificou 400, em diversos estágios de implementação) autoridades do governo negaram ser isso mais um modismo. Argumentam que estão sendo priorizadas diversas ações para estimular a consolidação de tais arranjos ? como, por exemplo, a criação de bônus de certificação para produtos fabricados por médias e pequenas empresas; unificação de 23 instituições voltadas ao fornecimento de microcrédito, inovação tecnológica e gestão de negócios, e inserção dos arranjos na produção industrial. Para especialistas, o sucesso dos arranjos produtivos locais dependerá em muito de se obter, na prática, uma atuação conjunta das entidades unificadas. Além do mais, as especificidades de cada localidade também influenciam enormemente a consolidação, o desenvolvimento e a produtividade dos ditos arranjos. Alerta-se, também, que os resultados não aparecem em curto prazo e dependem de obtenção de uma consciência coletiva inovadora (os participantes ao invés de concorrentes tornam-se parceiros). Sem isso, essa boa idéia fica completamente desarranjada.

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