Opinião
OS NÚMEROS DA POBREZA
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Estudo feito pela Fundação Getúlio Vargas mostra que, entre 2019 e 2021, período que inclui a fase mais aguda da pandemia do novo coronavírus, quase 10 milhões de pessoas entraram na linha da pobreza no Brasil. Com isso, 62,9 milhões de brasileiros tem renda familiar per capita até R$ 497.
De acordo com a FGV, em Alagoas mais da metade da população se encontra nessa situação de pobreza. Isso representa cerca de 1,69 milhão de pessoas. O Estado registrou um crescimento de 1,88 ponto percentual no número de pobres nesse período. A FGV Social usou dados do IBGE para criar o mapa da pobreza no Brasil. O levantamento leva em conta a definição do Banco Mundial do que é pobreza a partir da renda das famílias. Os R$ 497 por mês não dão para comprar uma cesta básica. A pesquisa mostra também um aumento dos que estão na chamada extrema pobreza. São 33 milhões de brasileiros que vivem com menos de R$ 289 por mês. Pelo levantamento, que usa dados que começaram a ser coletados em 2012, esse é o pior cenário já registrado. Vários fatores explicam esse crescimento do número de pobres, a começar pela pandemia, que afetou seriamente vários setores produtivos, gerando desemprego. A situação só não foi pior por causa do auxílio emergencial concedido pelo governo federal. Agora o mercado de trabalho começa se recuperar, mas o problema passa a ser o aumento dos preços, principalmente dos alimentos. A inflação está fazendo o papel de deteriorar a renda das famílias. Para especialistas, medidas emergenciais são necessárias, mas é preciso também que se executem políticas públicas permanentes para reduzir a pobreza, inclusive investimento em educação e atividades produtivas para que as pessoas possam gerar sua própria renda. Em Alagoas, chama a atenção o fato de o Estado dispor do Fecoep, um fundo criado para combater a pobreza, entretanto, no governo anterior, seus recursos tiveram desvio de finalidade foram usados para obras físicas, como os Cisps. Se utilizado criteriosamente, o Fecoep pode ser uma grande ferramenta para mudar o quadro do Estado.