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LEMBRANDO LUIZA GAZZANEO BRANDÃO

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Ao se aproximar do dia 09 de junho, dia em que completaria mais um ano de vida, se entre nós ainda estivesse, as lembranças explodem e, torna-se impossível, principalmente para mim que sou filho, não falar de Luiza, não lembrar dessa mulher que viveu bem à frente do seu tempo.

Filha de mãe brasileira e pai italiano, Luiza herdou de minha avó, Jovina, simpatia, astúcia senso crítico e autoridade. Do meu avô, Luiz Gazzaneo, a essência das raízes italianas, dentre elas, alegria, espontaneidade, independência e o gosto pela culinária e pela música. Dona de belíssima voz, estudou canto lírico, sendo sempre convidada a se apresentar em recitais e, nos encontros da família, o que sempre fazia com prazer e maestria. Alegre, ativa e irrequieta, foi aluna exemplar, destacando-se na área de ciências exatas. Antes mesmo de completar dezoito anos, concluiu o Curso Normal, tendo sido convidada a assumir a cadeira de matemática, quando do afastamento do seu mestre. Lecionou em diversas escolas de Maceió e ministrou aulas particulares em sua residência, na Praça Sergipe. Falando em herança genética, a minha foi a música e a do meu único irmão, dois anos mais novo, Elson Gazzaneo Brandão, a paixão pela matemática, lecionando, com a mesma competência e dedicação de nossa mãe, por várias gerações. Com ele, eu costumo dizer, embora ele não goste da brincadeira por não aparentar a idade que tem, que ele foi professor dos avós, pais, filhos, netos e agora dos bisnetos. Luiza era casada com Milton Guimarães Brandão, comerciário, gerente da Drogaria Globo que pertencia aos seus primos Werter, Eloi e Theo Brandão, membros de família tradicional alagoana. Quando falo em tradicional, refiro-me, principalmente, ao conservadorismo de conceitos e preconceitos, onde o homem era educado para ser o provedor e a mulher, para ser esposa, mãe e dona de casa. Luiza não se enquadrava nesses padrões e não estava satisfeita em ser apenas professora, queria mais. Foi esposa e mãe extremosa, mas ser dona de casa nunca foi sua verdadeira vocação. Costumo dizer que, como dona de casa, ela foi uma excelente administradora, sempre muito bem assessorada. Contam até, nesse tempo eu ainda não havia nascido, que para conseguir convencer meu pai a permitir que ela fizesse concurso público, foi necessária a intervenção de um parente muito querido, por quem tinham muita admiração, respeito e amizade, Dom Avelar Brandão Vilela. Submeteu-se a dois concursos federais, tendo sido aprovada com destaque, tornando-se funcionária pública do antigo IPASE, hoje INSS, onde, muito querida, admirada pelo seu caráter ilibado, competência, respeito e dedicação ao trabalho e ao próximo, desempenhou suas funções até a aposentadoria. Educação, amor, respeito e dedicação ao trabalho, foram os exemplos, os alicerces deixados por meus pais, sobre os quais construí minha história familiar. Só tenho gratidão por ter participado intensamente da sua vida e de sua história, cujas lembranças, aqui descritas, não são, apenas, fruto do amor de um filho, mas, acima de tudo, a expressão da mais pura verdade que permanecerá sempre, muito bem guardada, na memória e, principalmente, no coração.

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