Opinião
Ano do microcr�dito
A ONU resolveu designar o ano de 2005 como ?Ano Internacional do Microcrédito?. O objetivo é alavancar em todo o mundo (particularmente no chamado Terceiro Mundo) esse instrumento considerado essencial para o combate à exclusão social. Com isso, a Organização das Nações Unidas reforça a opção da microempresa como alternativa mais viável para a inclusão num mundo onde os grandes empreendimentos cada vez mais utilizam menos mão-de-obra. No Brasil essa concepção tem sido alvo de preocupação de instituições como Sebrae e Banco do Nordeste, e de entidades representativas do pequeno empreendimento, como a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil. No caso da ONU, a agenda do ?Ano Internacional do Microcrédito? será definida a partir de três comitês. Um formado por especialistas em microfinanças; outro de chefes de Estado (do qual deverá fazer parte o presidente Luiz Inácio Lula da Silva); e outro composto por celebridades do mundo musical. Cada país deverá instalar o seu próprio comitê, formado pelos principais atores do segmento. No Brasil várias experiências têm sido levadas adiante, como ? na área governamental federal ? os programas de transferência de renda, tipo Bolsa-Família, e o chamado ?processo de bancarização da população de baixa renda?, implementado pelo quase desconhecido Banco Popular do Brasil, um subsidiário do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. Segundo dados do governo federal, hoje estariam funcionando em todo o país cerca de 23 mil correspondentes bancários, instalados em repartições dos Correios e pontos comerciais. Os esforços são louváveis, apesar de pouco palpáveis. Afinal, quando se pega para valer os dados sobre os empreendimentos de micro e pequeno porte, o que se constata é, ainda, a altíssima mortalidade empresarial e o gigantismo da informalidade. A questão central a ser resolvida é o impacto duplo da macro carga tributária e da macro burocracia sobre os empreendimentos de pequeno porte. Sob o peso desses dois mastodontes, o micro e o pequeno empreendimento findam esmagados ? e, nessa situação é de pouca valia a (ótima) iniciativa do microcrédito. Com o advento do ?Ano do Microcrédito? é hora de o Estado brasileiro passar a enxergar no micro e no pequeno empreendimento a grande opção de inclusão social e dispensar a esses setores o tratamento adequado em todos os sentidos e não apenas no crédito.