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Opinião

De novo, o crescimento

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Entre os analistas econômicos, dos mais diversos matizes ideológicos, uma pergunta teima em não calar: a retomada do crescimento econômico brasileiro está assentada em bases sólidas? Como todo episódio complexo, envolvendo uma infindável série de variáveis, não é nada fácil ou responsável uma resposta categórica, peremptória. Em primeiro lugar, não é prudente esquecer que mesmo com a atual retomada do crescimento econômico, a fragilidade da economia brasileira continua muito grande (relação dívida líquida versus PIB segue preocupante, assim como a livre movimentação de capitais e a permanência dos gargalos na infra-estrutura). Em segundo lugar, o cenário internacional (onde se destacam os juros americanos e a desaceleração chinesa) ? obviamente ? está fora do controle das autoridades econômicas brasileiras e influenciam enormemente o desempenho de nossa frágil economia. É mérito do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter criado um ambiente de confiança entre os agentes econômicos ao superar a meta estabelecida para o índice de crescimento este ano. Embora não tenha causado nenhuma surpresa, a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central de manter a taxa básica de juros em 16% ao ano, influencia o comportamento dos investimentos, à medida que eles só se realizam na proporção desejada quando existe uma perspectiva de crescimento sustentável de longo prazo, algo que até agora não ficou suficientemente claro que irá ocorrer. A manutenção da taxa básica de juros por quatro meses consecutivos num patamar elevado (ainda que seja a menor desde março de 2001) indica uma tendência clara de conservadorismo. Tanto é assim que o governo estuda reduzir a cobrança do PIS/Cofins das instituições financeiras, com o objetivo de reduzir o spread bancário e ampliar a concessão do crédito. Enquanto não são implantadas medidas para reduzir o preço do dinheiro cobrado pelas instituições financeiras e outras capazes de estimular o crescimento sustentável da economia, os investimentos são postergados. Um exemplo: as multinacionais instaladas no Brasil preferem investir prioritariamente na Ásia, na China em particular. O argumento é muito simples, as elevadas taxas chinesas de crescimento econômico, com o conseqüente retorno do capital investido. Simples, não? Só quem está a crescer, de forma sustentável, pode almejar novos investimentos.

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