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Dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde mostram que, em todo o mundo, após dois anos de pandemia, foi registrada a maior queda contínua nas vacinações infantis dos últimos 30 anos. Cerca de 25 milhões de crianças estão com as vacinas atrasadas. O Brasil está entre os dez países no mundo com a maior quantidade de crianças com a vacinação atrasada.

No País, três em cada dez crianças não receberam vacinas necessárias. Isso significa que 70,4% das crianças receberam ao menos a primeira dose da DTP, ou pentavalente, ou seja, aproximadamente 700 mil crianças não receberam nenhuma dose da vacina. Para especialistas, a situação é preocupante porque há um sério risco da volta de doenças que tinham sido eliminadas ou que eram raridade. O Brasil é um dos poucos países que oferecem um extenso rol de vacinas gratuitas à sua população, com um programa que disponibiliza anualmente cerca de 300 milhões de vacinas contra mais de 30 doenças em aproximadamente 38 mil salas de vacinação espalhadas pelo território nacional. Entretanto, não é de hoje que a cobertura vacinal vem diminuindo no País. Levantamento da OMS mostra que o Brasil aparece como um dos países que mais regrediram nos últimos cinco anos, com índice hoje de pouco mais de 70% de cobertura para difteria, tétano e coqueluche. A queda na cobertura universal de vacinas para crianças foi de 23 pontos percentuais entre 2015 e 2019, a mesma taxa de redução registrada na Venezuela, país em crise humanitária. Os motivos incluem a percepção enganosa de parte da população de que não é preciso vacinar porque as doenças desapareceram a problemas com o sistema informatizado de registro de vacinação. Há também o efeito de fake news divulgadas pelas redes sociais atribuindo falsos efeitos colaterais às vacinas. Apesar de não ser tão forte quanto em outros países, o movimento antivacina tem encontrado adeptos no Brasil. Seja como for, é preciso que as autoridades de saúde reforcem as campanhas educativas e facilitem o acesso à vacinação. Caso contrário, voltaremos a registrar casos de doenças que pareciam erradicadas.

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