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Opinião

As nossas violências

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Soljenitsyn, ao receber o Prêmio Nobel em 1972, afirmou: “A violência não existe e nem pode existir por si só; ela está invariavelmente enraizada à mentira”. Soljenitsyn sofrera as perseguições do regime stalinista e a mentira referida era o “paraíso socialista”. A investigação ora em trâmite no Congresso norte-americano é decorrente da invasão do Capitólio por radicais/extremistas instigados por Trump - segundo o qual as eleições tinham sido fraudadas -, mentira que resultou em mortes e quase desencadeia uma guerra civil, além de ter ameaçado a democracia mais estável e consistente do mundo.

Os últimos episódios de violência no Brasil que causaram grande comoção popular (assassinatos do esquizofrênico em Sergipe pela PRF, os do vale do Javari, os estupros de gestantes) demonstram que além dos problemas estruturais relacionados à violência, como a desigualdade social, o racismo, a precariedade dos serviços públicos, o desemprego, agora são agravados por novas formas de violência, verbalizadas por radicalismo político, em denúncias não comprovadas, o que fomenta um ódio cego e irracional. Churchill alertava: “um radical é igual a um cão com hidrofobia”. Existem os radicais por índole própria, são intolerantes com quaisquer divergências de suas opiniões. São minorias, tanto na esquerda como na direita, como mostram as pesquisas, mas são capazes de causar tragédias e mortes. Pelo nosso histórico de golpes e atentados à democracia, não se pode minorá-los. A violência não está só nas agressões físicas e mortes, mas também em outras atitudes igualmente condenáveis. Atravessamos um ano difícil nas economias nacional e mundial, e o ambiente de radicalização só cria mais dificuldades para uma recuperação econômica, e atemoriza ainda mais a população. Os radicais de direita e de esquerda que incitam o ódio, estejam nas redes sociais, onde abusam das fakes news, ou empossados em cargos públicos, nos meios políticos, ou ainda em setores a serviços desses, onde as responsabilidades devem ser maiores, precisam ser contidos pelos instrumentos democráticos. Esse clima de violência política é inédito no Brasil e temos como apaziguá-lo: todos os envolvidos diretos têm uma obrigação maior do que os cidadãos comuns; precisam ter equilíbrio, serenidade e promover a harmonia na sociedade. As eleições não podem ser disputadas “com sangue nos olhos”.

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