Opinião
Senhora dos rem�dios
DOM EDVALDO G. AMARAL SDB (*) Nesta sexta-feira, dia 27, a Igreja de Jesus que está em Maceió, sob o báculo de seu pastor, dom José Carlos Melo, celebra a padroeira, N. Sra. dos Prazeres, Rainha e Mãe de todo o povo alagoano. Aqui, no arquipélago de Fernando de Noronha, celebraremos também no próximo domingo, dia 29, a festa de nossa padroeira, N. Sra. dos Remédios. A senhora compassiva de seus filhos, a Mãe da misericórdia é a Mãe das Alagoas (dos Prazeres) e é também a Mãe dos Remédios de Noronha, da consolação, do alívio, das dores e das doenças desta vida atribulada. Vejamos um pouco a história dessa devoção mariana. A primeira missa no arquipélago teria sido celebrada em 1612, pelo frade capuchinho frei Claude d?Abeville, que acompanhava a expedição do conquistador do Maranhão, Daniel de la Touche, o qual, parando aqui a caminho do continente, improvisou uma paliçada, onde mandou celebrar a missa pela capelão da armada ? informa a historiadora do arquipélago, Marieta Borges. Mas a devoção a N. Sra. dos Remédios propriamente começou em 1737 com o início da construção da igreja a ela dedicada, que foi inaugurada em 1772, como consta da inscrição, que hoje se lê em sua fachada. O nome santo da Virgem dos Remédios sugeriu a denominação do forte, que ali perto se construiu e de toda a vila, chamada Vila dos Remédios, que foi surgindo em torno da igreja. Em 1768, (antes, portanto, da inauguração da igreja em construção) o nome de Nossa Senhora sob essa invocação, infelizmente, foi dado ao presídio que ali se erguera, de acordo com informação de Marieta Borges. Em 1789, a comunidade eclesial de Fernando de Noronha veio a fazer parte da Paróquia de São Frei Pedro Gonçalves, que tem a sede na Igreja da Madre de Deus, do bairro do Recife, por vários anos Concatedral provisória. Quando da criação do Ordinariato Militar do Brasil em 1986, pela presença expressiva de militares na Ilha, como Fernando de Noronha era então Território Federal, pensou-se em torná-lo membro do Vicariato Castrense, suprimindo-o da jurisdição eclesiástica de Olinda-Recife. Mas já em 1988, com a nova Constituição Federal, voltou à jurisdição do Estado de Pernambuco, como Distrito Estadual e permaneceu ligado à Arquidiocese de Olinda-Recife, como sempre fora desde seus primórdios. Somente em 1988, Dom Hélder já como arcebispo emérito, pôde visitar pela primeira vez o arquipélago, inaugurando as obras de restauração do templo de N. Sra. dos Remédios, realizado com recursos federais. Dom José Cardoso Sobrinho, arcebispo de Olinda-Recife, fez sua primeira Visita Pastoral à comunidade em 1989 e, desde então, vem se preocupando muito com a assistência espiritual ao Povo de Deus de nossa Ilha. Neste ano de 2004, constituiu-me seu delegado- geral para a Comunidade de Nossa Senhora dos Remédios. O novenário deste ano, realizado de 20 a 29 de agosto, tem por tema: ?Maria na Bíblia para todos os cristãos? e como lema: ?Com Maria, queremos ver Jesus em nossos irmãos?. Cada noite, às 19 horas, está havendo a recitação do terço meditado, com citações bíblicas, tiradas de um livrinho, que preparei após a Carta Apóstolica do papa sobre o Rosário, com confissões individuais para os que desejarem. Às 20 horas, é a Santa Missa, com uma catequese cada noite sobre Mariologia bíblica, tratando da importância do conhecimento da mariologia com base bíblica: Maria no Novo Testamento, em Marcos, Paulo, Mateus, Lucas e João. A festa deste ano, coincidirá neste dia 27, promovido pelo governo do Estado, com o encerramento das comemorações do 5o. centenário da Descoberta do Arquipélago, que aconteceu a 10 de agosto de 1503. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ