Opinião
Cesta furada
No meio da alegria dos atentos à economia em função da identificação de um tênue crescimento do PIB, um desgosto: A cesta básica está ficando mais cara. Isso foi o que apurou o insuspeito Dieese, pesquisando em 16 capitais brasileiras e encontrando em 15 delas aumentos no preço da mirrada cesta básica. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), as maiores altas foram identificadas nas cidades de Aracaju (8,52%), Natal (8,27%), Florianópolis (8,07%) e Vitória (7,59%). Apenas em uma capital, Fortaleza, foi registrado um baque no preço da cesta, que caiu 3,11%. Na maior cidade brasileira, São Paulo, a alta foi de 4,78%. Seria um surto ocasional? Infelizmente, parece que não. Segundo o Dieese, de janeiro a agosto, o aumento no preço da cesta básica alcançou dois dígitos em 10 das 16 capitais onde a instituição realiza suas pesquisas. Nos primeiros oito meses deste ano, o maior salto de preço foi registrado em Florianópolis (18,88%), seguida de perto por Vitória (18,5%) e Natal (18,15%). Nesse período, a cidade onde o preço menos cresceu foi Salvador, onde mesmo assim aumentou 7,66%. Como sempre, se buscam vilões no meio da cesta, e nesse caso (do mês passado), o principal suspeito é o tomate, acusado de ter apresentado aumento superior a 20% em 13 capitais (segundo as investigações, o fruto do tomateiro teria ultrapassado 50% em Aracaju). Em suspeitosa situação também estão o leite e a carne, sendo que o primeiro pulou 10,44% em Belo Horizonte, enquanto o segundo teria disparado de preço em nove capitais. E, assim, os técnicos foram arrolando prováveis culpados dentre os produtos componentes da chamada cesta básica. Que tolice! Interpretar os aumentos de preços individuais de cada produto é rotular conseqüência como causa, é desviar a atenção dos verdadeiros motivos do aumento ? que nada mais é do que a velha conhecida inflação. Os aumentos de preços estão presentes em todos os segmentos, e a cesta básica não tem como estar fora da ciranda. Naturalmente, os produtos não aumentam todos da mesma forma, no mesmo momento. O que vale é interpretar o movimento, é calcular com precisão como e em quanto o poder de compra está sendo aviltado. E, a partir daí, traçar propostas para alterações de rumo, que certamente, não terão o tomate como centro das atenções.