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Opinião

Liberdade

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DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM* Na próxima terça-feira, recordaremos com orgulho uma data importante da história do Brasil: 7 de setembro de 1822, Dia da Independência. Acredito ser um momento propício para entendermos melhor: O que é liberdade? É um dom, é propriedade essencial do homem. Não só caracteriza a vontade ou a ação humana, mas, por se acharem inseridas na totalidade de uma natureza real da qual procedem, também a natureza em que se enraíza deve ser livre. A liberdade humana, além de ?dom?, é ?tarefa?. A liberdade é dever. O existir em liberdade requer o esforço de ter que estar libertando-se continuamente. Daí, é preciso definir que a liberdade se compõe de dois momentos dialéticos: É liberdade ?de? algo e é liberdade ?para? algo. O sentido genitivo da liberdade (?liberdade de?) teve maior acolhida nas filosofias de tipo existencialista, ao passo que o sentido dativo (? liberdade para?) adquire maior relevo nas filosofias do compromisso social. Aqui se situa, portanto, o sentido social do voto e das eleições que se aproximam. Na verdade, o voto é uma realidade intimamente ligada à dignidade da pessoa humana que, por natureza, é livre. É necessário respeitar. Deste modo, são reprováveis quaisquer procedimentos contrários à livre expressão de cada pessoa como: a compra do voto, o voto em cabresto, a ameaça ou a repressão sob qualquer título. A Arquidiocese de Maceió organizou uma equipe de formação política com o objetivo de orientar os fiéis para um discernimento equilibrado e participativo no campo da política. Quem bem expressa este pensamento é o papa João Paulo II, afirmando: ?Para animar cristamente a ordem temporal, no sentido de servir à pessoa e à sociedade, os fiéis leigos não podem, absolutamente, abdicar da participação na política, ou seja, da múltipla e variada ação econômica, social, legislativa, administrativa e cultural, destinada a promover orgânica e institucionalmente o bem comum?. O cristão assumindo seu papel poderá, pelo testemunho e vivência de fé, ser canal de ligação entre a vivência do cristianismo e testemunho diante da sociedade com o desejo de servi-la. O papa Paulo VI tratando deste tema afirmou: ?A política é uma maneira exigente ? se bem que não seja a única ? de viver o compromisso cristão, ao serviço dos outros?. Para uma melhor clareza, recordo a todos a apresentação da nossa Cartilha Política: ?Aqui se trata da Política maiúscula, isto é, do interesse pelo bem da sociedade como um todo, do modo de organizar nossa convivência social, de maneira que a busca do bem comum seja o fim último da organização de nossa sociedade. Portanto, não se trata aqui de política partidária, mas da política como modo de organizar e gerenciar nossa sociedade?. Segundo o apóstolo Paulo: ?Vós, irmãos, fostes chamados à liberdade? ( Gl 5,13), compreendemos que a teologia e a pastoral na Igreja devem nos orientar nos sentido de que o cristão viva em plenitude sua condição de ser livre. Pátria livre é ter eleições livres. É dar prioridade ao bem comum, subordinando a ele os interesses pessoais e particulares. Por esta Pátria livre devemos lutar e até morrer, como fizeram os nossos antepassados. (*) É Arcebispo Metropolitano de Maceió

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