Opinião
Sert�es e grandes veredas
Quais caminhos teriam sido trilhados pelos reforços policiais destinados a cidades explosivas no interior alagoano? A única certeza, pelo menos até cinco dias depois da partida de tropas da capital, é que as cidades solicitantes ainda não haviam percebido a chegada das forças salvadoras. Juízes reclamaram, autoridades municipais inquietaram-se e as populações sob ameaça pareceram se resignar. Quais as razões para esse hiato entre o anunciado deslocamento de Maceió e o posicionamento dos policiais militares em seus provisórios postos nas cidades? Há quem diga que isso poderia ser explicado pelo pequeno número de policiais que coube a cada município, que os PMs deveriam ter chegado, mas seriam tão poucos que estariam passando despercebidos. Tem cara de piada, mas muitos analistas garantem que o chiste reflete uma realidade: os contingentes são pequenos para o tamanho de cada ameaça municipal. O preocupante nesse quadro é o fato de juízes eleitorais reclamarem da ausência desses reforços, afinal, independente de muitos ou poucos, os policiais deveriam se apresentar de imediato à principal autoridade local para a operação em tela, que é o juiz eleitoral. Cinco dias sem dar sinal de vida representa um mau augúrio, à medida que distancia os atores principais na cena da segurança no processo eleitoral. É fundamental que os reforços policiais conheçam as preocupações das autoridades da Justiça Eleitoral, que delas receba instruções (juntamente com o policiamento usual da cidade) de como proceder nessa reta final de campanha e no dia do voto. Será alvissareiro se, enquanto esse texto estiver sendo editado, o reforço policial tiver ? enfim ? aportado em seu destino e se apresentado às autoridades judiciais. Isso não significará que estejam arquivadas as hipóteses de atritos entre forças políticas antagônicas, mas é um alento a confirmação de que toda a sociedade está alerta para o que venha a acontecer em qualquer rincão das Alagoas. Nunca é demais lembrar, insistir na lembrança, de que um atraso no deslocamento de tropas foi decisivo para que a maior chacina eleitoral da história recente de Alagoas viesse a ser perpetrada no município de Mata Grande em 3 de outubro de 1950. Tragédia fartamente anunciada, não foi evitada por um erro elementar de logística. Vamos nos mirar nos exemplos do passado recente, aprender com eles e evitar novas tragédias, eliminando, desde o nascedouro, as previsíveis ondas de violência política.