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Exemplos de fogo

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Grandes nações, como os Estados Unidos, têm muito que oferecer ao resto do mundo em termos de exemplos ? sejam positivos ou negativos. Esses países estão no topo do desenvolvimento e as contradições estouradas lá tendem a pipocar, mais cedo ou mais tarde, em sua periferia global. No tocante à violência interna e ao uso de armas por civis, os exemplos americanos são marcantes, até pela alta incidência e sofisticação do crime e pela eterna polêmica sobre o direito ao porte de armas (que faz perene a imagem do caubói a circular livremente enfeitado por mortais artefatos bélicos). Recentemente, nos Estados Unidos, dois casos sobre esses dois aspectos merecem atenção. O primeiro é que está para ser eliminado o veto legal à compra de armas militares por civis, proibição essa aprovada em 1994, durante o governo Bill Clinton, quando a decisão foi tomada depois de uma série de ataques mortais desfechados por atiradores ensandecidos. Graças a esse veto, 19 tipos de armas militares tiveram sua comercialização proibida nos Estados Unidos. Esse dispositivo legal, porém, teve a validade de 10 anos e se extingue neste ano em curso, mais precisamente, na próxima segunda-feira. Um poderoso lobby comandando pela National Rifle Association deu força a uma manobra de congressistas do Partido Republicano e a renovação do veto foi alvejada mortalmente, daí, a partir de terça-feira qualquer loja americana poderá voltar a vender livremente os 19 tipos de artefatos mortais de alto calibre. Péssimo exemplo! Mas, por outro lado, a justiça americana condenou uma fábrica de armas e uma loja a indenizar as vítimas de um fuzil que chegou às mãos de um serial killer. Trata-se do caso famoso do ?Atirador de Washington?, na verdade uma dupla formada por John Allen Muhammad e seu cúmplice, o adolescente Lee Malvo (ambos já condenados por dez assassinatos). A arma de precisão usada pela dupla foi fabricada pela Bushmaster Firearms e posta à disposição do público pela empresa Bull?s Eye Shooter Supply. A fábrica terá de pagar US$ 500 mil e a loja desembolsará US$ 2 milhões aos autores da ação, representantes legais dos assassinados. Essa é uma decisão inédita e que poderá fazer jurisprudência nos Estados Unidos, o que ? por assegurar penas pecuniárias a fabricantes e vendedores ? pode produzir um eficiente freio na anárquica tendência de venda de armas de fogo nos Estados Unidos. Um ótimo exemplo!

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