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Santa Cruz

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| Dom José Carlos Melo, CM * No próximo dia 14 do corrente, a liturgia da Igreja nos enriquecerá com a Festa da Exaltação da Santa Cruz. Segundo a história, o cristianismo nos três primeiros séculos de existência teve um relevante avanço. Saindo da Palestina atingiu a Bacia do Mar Mediterrâneo, a Síria, a Grécia, a Ásia Menor, hoje Turquia, a Espanha, ao Norte da África, chegando até Roma depois de ter enfrentado dez cruéis perseguições. Em 313 uma grande batalha foi travada para a conquista do Império entre os chefes militares: Maxicêncio e Constantino, sendo atribuída a vitória a Constantino que, segundo a tradição, na noite que antecedeu a batalha viu um estandarte nas nuvens do céu, com uma cruz desenhada onde dizia em grego: ?Com este sinal tu vencerás?. Mesmo suas forças sendo inferiores, ele venceu Maxicêncio e conquistou o Império Romano que estava em decadência, tornando-se um grande Imperador. Apesar de Constantino não ser cristão, pois, seu batismo só aconteceu no fim de sua vida, a Igreja primitiva foi beneficiada por ele com a proclamação do Edito de Milão, cidade do Norte da Itália em 313. Esta lei de Constantino dava liberdade religiosa, fazendo os cristãos saborearem um tempo de glória, com a saída das catacumbas, imensos corredores escuros que serviam de cemitérios, até a luz do sol, com toda a força para anunciar e propagar o Reino. A Imperatriz Santa Helena, canonizada pela Igreja, era a mãe do Imperador Constantino. Viajou de Roma em um navio de vela até chegar em Cesaréia Marítima, de onde seguiu para Jerusalém e aí obteve do bispo Macário autorização para a realização de escavações no lugar onde Jesus fora crucificado, chamado Golgota que significa lugar do crânio ou calvário. Segundo a tradição, aí foram encontradas as três cruzes, a de Jesus e as duas dos malfeitores que com Ele foram crucificados. No mesmo lugar, o Imperador mandou construir a grande Basílica da Santa Cruz ou da Redenção, inaugurada no dia 13 de setembro do ano 335 e no dia 14 foi feita a primeira comemoração litúrgica em honra à Santa Cruz. Retomando a Carta de São Paulo aos Gálatas, entendemos que na cruz foi pregado um inocente, a morte de Cristo nos resgata do pecado. ?Cada um de nós, no seu corpo, no seu ser, completa o que falta à cruz de Jesus Cristo?. Sabemos que nada poderia faltar à Paixão de Cristo, mas esta expressão nos faz entender que em cada sofrimento da vida, nas doenças, nas provações e angústias, uma parte da cruz de Cristo é colocada nos nossos ombros. (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.

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