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Opinião

Exemplo de Atenas

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Referência cada vez mais forte de civilidade, os jogos olímpicos alimentam a grande esperança da competição em paz e da concorrência pacífica das diversidades. Felizmente, a cada evento desse tipo, cresce a atenção do público, cresce o saudável entrosamento entre as nações e etnias, entrosamento esse nascido de renhidas disputas e não da acomodação servil. O mundo faz bem em estar atento a esses momentos. E o mundo faria melhor ainda se prestasse mais atenção às Olimpíadas alternativas que neste momento acontecem em Atenas. São os Jogos Paraolímpicos, competição internacional dos mesmos moldes da Olimpíada tradicional, só que aglutinando atletas especiais, que tenham algum tipo de deficiência. Essa é a olimpíada da cidadania humana por excelência. Os homens e as mulheres que suam nesses jogos são mais que atletas ? são heróis de uma têmpera especial, estão duplamente vencedores, pois triunfam sobre deficiências que tendem a marginalizar o ser humano e são vitoriosos ? como quaisquer atletas ? na superação dos recordes e dos limites de cada modalidade esportiva em si. Hoje, em Atenas, estão reunidos mais de quatro mil atletas especiais, representando 146 países, disputando medalhas em 18 esportes. E o Brasil, batalhando em 12 esportes, comparece com sua maior delegação paraolímpica da história, formada por 98 atletas, 34 a mais do que os últimos jogos desse tipo, disputados em Sydney, há quatro anos. E o ouro paraolímpico vai sendo conquistado pelos brasileiros. Ontem, foram quatro medalhas de ouro: a velocista (cega) brasileira Ádria Santos sagrou-se tricampeã nos 100 metros, na categoria T11 (para deficientes visuais totais), Ádria já havia ganho o ouro nos Jogos de Barcelona (1992) e Sydney (2000). O judoca Antônio Tenório levou o ouro na categoria meio-pesado (até 100 kg), também repetindo a conquista que havia alcançado nos Jogos de Atlanta e Sydney. Já Antonio Delfino foi o grande vencedor dos 200 metros rasos, categoria 746 (para amputados), e André Andrade conquistou a medalha de ouro nos 200 metros rasos para deficientes visuais. No total o Brasil já contabiliza cinco ouros. E não são, nem certamente serão, as únicas medalhas arrebanhadas nos 11 dias de competições em solo grego. Alagoas está presente, e como nas Olimpíadas 2004, também com uma mulher, Sônia Gouveia. A alagoana disputa lançamento de disco, modalidade onde já conquistou um título mundial específico em 2003, na Nova Zelândia. Independentemente das medalhas, todos esses atletas especiais são desportistas maiores, são a múltipla e maior comprovação da capacidade do ser humano em superar suas próprias limitações. Aplausos para os heróis e as heroínas desses jogos de Atenas!

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