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Padre Vigne

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DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM* No dia 3 de outubro, o santo padre, o papa João Paulo II, em uma grande cerimônia na Praça de São Pedro, em Roma, beatificará o padre Pierre Vigne. Surge para nós um questionamento. Quem é o padre Vigne e que ligação ele tem conosco? Trata-se do fundador das Religiosas do Santíssimo Sacramento, as Sacramentinas, que fazem tanto bem nos trabalhos realizados em nossa arquidiocese. Padre Vigne nasceu em Privas, na França, no dia 20 de agosto de 1670, foi ordenado sacerdote em 1694, e, como vigário de um simples lugar chamado Saint-Agráve, seu ministério se tornou fecundo ao compreender a pobreza espiritual do povo simples. Seu amor aos pobres foi reforçado pela admiração que tinha a São Vicente de Paulo, ?O Pai dos Pobres?, cuja Festa litúrgica celebraremos amanhã, dia 27. Por esse motivo, em 1700, no início do seu ministério presbiteral, ele decide entrar para a Congregação da Missão, passa a pertencer à família de São Vicente, os padres Lazaristas de Lyon. Com eles faz a aprendizagem da vida missionária e participa das missões populares na região lionesa e mesmo até Béziers. Aos 36 anos, o padre Vigne pede licença ao superior da Congregação da Missão para se desligar e partir em missão com seus próprios métodos de pastoral, que se demonstraram frutuosos entre o povo simples do campo. Sob o impulso do Espírito Santo, por caminhos comuns e parecidos, padre Vigne e padre Vicente se tornaram modelo de Santidade para nós e merecedores de nossa admiração. Durante suas viagens apostólicas ele descobre, em 1712, a aldeia de Boucieu le Roi. Instala-se aí e constrói a grande via-sacra que ele chamou a ?Viagem do Calvário?. Neste mesmo período ele funda a Congregação das ?Religieuses du Saint Sacrement?, no dia 30 de novembro de 1715, na Igreja de Boucieu lê Roi e entrega a cruz e o hábito religioso a sete jovens mulheres reunidas por ele para acompanhar os peregrinos ao longo da ?Viagem do Calvário?. Elas decidiram, depois de muitos meses, levar juntas uma vida de oração e caridade. Adoravam Jesus presente na Eucaristia e se ocupavam de instruir as crianças da aldeia. Outras mulheres logo se associaram ao grupo. As primeiras ?Irmãs do SS. Sacramento? pronunciaram seus votos no dia 8 de setembro de 1722. Desde então, a congregação se desenvolveu até ultrapassar largamente rumo à Provence e ao Dauphiné. Em nossos dias, elas ensinam não somente nas escolas abertas pelo fundador, mas estão também presentes junto aos doentes nos hospitais e nos trabalhos pastorais de nossas paróquias. Chegando ao Brasil em 1903, em Salvador, as Sacramentinas têm contribuído eficazmente na ação pastoral da Igreja, sobretudo na educação da juventude, animadas por um espiritualidade centrada na Eucaristia. Os principais aspectos da espiritualidade das Sacramentinas são: A Adoração a Jesus presente na Eucaristia, que é, ao mesmo tempo, o coração e a vida das Irmãs e a força de sua missão; o amor infinito de Jesus manifestado em seu mistério pascal e em sua Eucaristia suscita sua ação de graças que se exprime pelo louvor eucarístico; a Eucaristia celebrada cotidianamente as conduz a uma vida de oferenda ao Pai em comunhão com o Cristo; a comunhão do Corpo de Cristo é um encorajamento a viver concretamente o mandamento do amor; a Virgem Maria é modelo e guia, ela que viveu tão profundamente a comunhão com seu Filho, traça o caminho do amor sem reserva. Parabenizo as Irmãs Sacramentinas pela beatificação do seu fundador e agradeço sua presença e seus trabalhos pastorais em nossa arquidiocese. (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

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