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Opinião

Saud�vel para quem?

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Segundo previsões do todo-poderoso Fundo Monetário Internacional (FMI), ?quase todos os países da América Latina devem crescer mais do que o Brasil este ano?. A previsão do FMI é de que o Brasil cresça 4%, igual ao México. Para a América Latina, no geral, a média indicada pelo FMI é de mais 4,6% de crescimento em 2004. Pelas contas do FMI, a Argentina deve continuar seu processo de recuperação com um expressivo crescimento de 7% enquanto no Uruguai, a expansão deve bater em 10%. Para a Venezuela, a previsão é de que o país presidido por Hugo Chavez cresça mais 12,1%, enquanto que o sempre em crescimento Chile acrescenta mais 4,9% em 2004. Em outras regiões, o velho fundo também é mais otimista e aponta 7,6% para os países em desenvolvimento na Ásia e 5,5% para Europa Central e Europa do Leste. O chefão do FMI, Raghuram Rajan, porém, classificou como ?saudável? o nível de crescimento brasileiro e derramou elogios às recentes taxas de juros determinadas pelo nosso Banco Central. Se o FMI considera de boa saúde esse discreto crescimento, o que nos restará dizer? Sem dúvida, deveremos reconhecer que o muito pouco 4% é bem mais que o quase nada 1% onde tem circulado o crescimento brasileiro nos últimos dois anos. Isso posto, devemos reconhecer que crescer esse muito pouco 4% é muito pouco mesmo, considerando-se em primeiro lugar as explícitas potencialidades da economia brasileira. No cenário das grandes decisões da política econômica brasileira ainda se vive o dilema da equação onde crescimento e estabilidade são excludentes e onde pagar mais do que exigido pelos credores é questão de princípio. Enquanto não se ousar conjugar crescimento com estabilidade e não se tiver peito de renegociar os pagamentos dentro de limites que garantam o desenvolvimento (com a garantia de recursos para os investimentos básicos nesse sentido), o ?saudável pequeno crescimento? brasileiro será gol contra. Pular a barreira dos 5% de crescimento anual é algo bastante viável, sem ser nenhum espetáculo, esse índice pelo menos indicaria uma nova disposição em se enfrentar os grandes problemas do país (pode ser usado como comparação o crescimento médio do Chile nos últimos anos). Para quem é saudável esse crescimento pífio? Certamente para os credores, que garantem seus fartos lucros na garantia do superávit sempre dilatado. É hora de o Brasil reivindicar um pouco de saúde para si próprio também.

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