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quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
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Reflex�es da hora

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Amanhã é dia de eleições. Em todo o Brasil, os postos no Legislativo e no Executivo em nível municipal estarão em jogo. Prefeituras e câmaras de vereadores terão seus ocupantes renovados ou reconduzidos num amplo processo democrático. Duas décadas depois do fim do regime autoritário, as eleições cumprem rigorosamente seus calendários. Particularmente nas capitais, onde o processo de eleição dos prefeitos foi interrompido durante quase todo o regime militar, a retomada do modo democrático de escolha dos governantes tem marcado profundamente o debate político desde 1985. Um grande avanço, não restam dúvidas. Mas o processo não pode, ainda, ser considerado o ideal. Os problemas centrais dos municípios nem sempre estão na ordem do dia dos debates e poucas são as propostas efetivamente apresentadas no curso da campanha, onde as disputas meramente partidárias ainda parecem ocupar os principais espaços e concentrar os maiores esforços. Essa pouca consistência das proposições faz com que os alcaides eleitos efetivamente passem a pensar no que fazer com as prefeituras a partir do dia seguinte à confirmação do resultado do pleito. E aqui ainda deve-se considerar um hiato entre fim da eleição e o começo no ?pensar no que fazer? ? tempo esse destinado a comemorações, descanso e composição (política) da equipe de governo. Tomemos como exemplo as principais cidades alagoanas: no dia de amanhã, quais os projetos municipais que estarão em jogo em seu município? É o caso de se pensar nisso nesses momentos que antecedem ao momento de digitar os dois algarismos para prefeito e os cinco dígitos para vereador. Vale pôr na balança as conveniências partidárias, as ligações pessoais, os favores devidos e ? no outro prato ? um julgamento desapaixonado, objetivo, sobre o que poderá vir a ser melhor para a sua cidade, seja em termos da prefeitura, seja em termos da Câmara de Vereadores. Acabou o período da campanha eleitoral pública, mas o tempo da reflexão não tem limites e a cada segundo que se vai, diminuindo o espaço entre o refletir e o votar, é momento de se repensar nas conseqüências do ato cívico a ser cometido no dia da eleição. Tendo cessado a estridência da campanha aberta, estamos em um bom momento para se escutar os ecos do que foi dito, ou berrado, a título de promessas e de compromissos. O silêncio relativo que marca este sábado é a melhor hora para se ouvir a voz interior, a voz da reflexão.

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