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Opinião

Cursos sofr�veis

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Como se não bastasse a lamentável realidade dos cursos de graduação em nível superior no Brasil, a pós-graduação também apresenta suas vicissitudes. Na última rodada nacional de avaliação da qualidade desses cursos, foram reprovados 55 cursos, por nota mínima, enquanto apenas 61 conquistaram a nota máxima. A nota máxima é o conceito sete e o fim do poço são dos conceitos um e dois. Segundo a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), foram examinados todos os 1.819 programas, o que corresponde a 2.861 cursos de mestrado e doutorado. Pela avaliação da Capes, no topo da lista, além dos 61 cursos que ficaram com a nota sete, outros 136 alcançaram a nota seis ? ambas correspondendo ao padrão internacional de boa qualidade exigido para esses níveis de pós-graduação. 55 cursos cravaram notas um e dois e estão castigados com a reprovação, embora tenham um tempo para apresentarem suas defesas e justificativas. Segundo a Capes, nos poucos casos de notas superiores, teriam sido constatados crescimentos da ordem de 10% nos casos das notas seis e sete, enquanto teria caído o número dos cursos desqualificados (na avaliação anterior, os deletérios que receberam notas um e dois eram 65 e agora são ?apenas? 55). Esse tipo de avaliação é feito de três em três anos e esses resultados divulgados ontem correspondem ao triênio 2001/2003. No lado bom, segundo a Capes, as instituições federais e estaduais dividiram igualmente o número de notas 7. Das escolas particulares, apenas três foram contempladas: a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), em informática e engenharia; a Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ), em economia, e a Fundação Antonio Prudente, mantenedora do Hospital do Câncer A.C. Camargo, com o curso de oncologia. Assim como no triênio passado, a maioria dos cursos de pós-graduação mais bem avaliada no Sudeste pertence à Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Federal de São Paulo, conhecida como Escola Paulista de Medicina (Unifesp). Nos informes resumidos distribuídos à imprensa, não há notícias sobre o Nordeste, assim como num primeiro momento, não se soube quais foram os 55 cursos reprovados. Com tais informações iniciais, restritas às extremidades boas e ruins, paira uma grande desinformação sobre os bons e os mais ou menos e fica no ar uma impressão de que ? como sempre ? a solitária ilha de excelência em termos de educação superior continua isolada no sudeste brasileiro. Sem informações detalhadas, as demais regiões amargam a continuidade da discriminação e a ausência de políticas destinadas a minorar essas diferenças, que são um dos maiores obstáculos para o crescimento equilibrado do Brasil.

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