Opinião
Sintoma fatal
Repetidas vezes, os comentários editoriais da Gazeta de Alagoas têm chamado a atenção para a evidência e gravidade da escalada da violência em Maceió. O caso do economista Carlos Stuart Buriti Filho é mais um trágico aviso dessa tragédia em curso. Felizmente, a vítima sobreviveu à tentativa de assassinato, embora com sérios ferimentos. Infelizmente, essa dramática realidade não é uma exceção, não é um fato inusitado. Assaltos, seqüestros ? ou mesmo tentativas pura e simples de assassinato por motivos fúteis ? têm ferido a sociedade alagoana com muita freqüência. Repetindo outro alerta comum na imprensa, essa ação criminosa contra o jovem economista se deu no bairro de Jaraguá, lugar privilegiado pelas atenções de uma elogiável revitalização e por uma condenável ausência do indispensável policiamento. Mas não pensem que o medo e a insegurança grassam em Maceió apenas no perímetro do velho bairro portuário. As gangues movem-se e atuam com desenvoltura por toda a cidade, e ? por que não reconhecer ? em várias outras regiões do Estado. A polícia diz que prende, mas ?a Justiça solta?: a Justiça ? sem dúvida ? não pode fazer além nem aquém do que a lei permite e, se for por esse caminho, estaremos metidos num debate interminável e inócuo. Na verdade, a questão é maior do que o dilema de ?prender e soltar?, pois esse drama está situado na esfera da impotência e incompetência do poder público em prevenir. Remediar é a segunda questão, em termos de importância. Nesse campo da fundamental prevenção, a segurança pública enfrenta um imenso problema, que é a plena produtividade das ?fábricas de marginais?, pois a permanência da realidade de exclusão social cria o fértil caldo de cultura onde germinam as violências de todos os tipos. Desemprego, falta de perspectivas de vida, fome, e todos os demais sintomas da exclusão social são a encubadeira dos inúmeros bandidos que infestam todas as maiores cidades brasileiras. Não existe uma política de inclusão social adequada à dimensão desse grave problema brasileiro, mas mesmo que existisse tal política, essa realidade exigiria uma política de segurança pública mais ousada e eficiente. Repensar as políticas sociais e redirecionar as políticas de segurança pública são necessidades primeiras, de urgência urgentíssima, e o caos não mora apenas no Rio de Janeiro. Maceió está aqui, sangrando, provando que essa é uma doença que ataca todo o Brasil.