Opinião
Poder do crime
Em meio às denúncias de corrupção eleitoral e às lamentáveis baixarias veiculadas nos programas eleitorais, um grave problema não pode passar despercebido: o recrudescimento das ações dos bandidos na capital e no interior. Ontem, duas notícias díspares davam conta da extensão desse problema. No município de Teotônio Vilela, a 113 quilômetros de Maceió, uma agência do Banco do Brasil foi assaltada. Em Maceió, no bairro do Vergel do Lago, a Casa dos Pobres foi roubada. Essas duas ações possibilitam uma clara idéia da vulnerabilidade da sociedade alagoana. Numa ponta, o poderoso Banco do Brasil, na outra a debilitada Casa dos Pobres. Em português transparente, isso quer dizer que ricos e pobres estão à mercê dos bandidos. No caso do Banco do Brasil, a agência de Teotônio Vilela registra seu segundo assalto este ano (o primeiro foi em abril). Dez homens fortemente armados chegaram ao desplante de render todo o Grupamento da Polícia Militar no local e arrastar quatro militares como reféns e escudos humanos para finalizar o assalto à agência. Cena de filme de gângsteres, estilo Hollywood, com os meliantes atirando para o alto, rendendo todos na agência e limpando cofre-forte, caixas e terminais eletrônicos. O bando estava tão bem armado que desprezou o armamento retirado dos policiais e depois de terminado o assalto, acintosamente, jogou fora os revólveres e pistolas dos PMs. Certamente, dispunham de coisa bem melhor. Dois corajosos policiais civis trocaram tiros com os bandidos, que não foram perseguidos ? até porque a viatura da PM estava quebrada. E toda essa operação cinematográfica não foi novidade, pois no assalto anterior (há seis meses) as cenas foram as mesmas. A ousadia e desenvoltura desses bandidos chama a atenção, assim como seu poder de fogo e ?logística? (com veículos em maior número e mais potentes que os carros da polícia) são escandalosamente superiores às forças da lei. Isso também não é novidade. Seja em Alagoas ou em outros estados, o crime organizado tem se apresentado melhor equipado que a polícia. Uma situação de imensa gravidade, e que exige respostas urgentes. E o assalto à Casa dos Pobres parece um alerta tragicômico sobre essa realidade dramática onde os bandidos demonstram um desplante que beira o deboche.