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Apesar das falhas sempre denunciadas, é inegável que o sistema democrático brasileiro tem evoluído, e muito, em termos de garantia da inviolabilidade do voto. Entre nós, brigamos para que o ciclo vicioso da compra e venda de votos seja quebrado, mas é mister se reconhecer que ficou para o passado a fraude dos resultados ? um fantasma que assombrava a cidadania em nosso país desde os tempos do famigerado voto bico-de-pena. Há pouco tempo, uma série de artimanhas compunham o rol de crimes eleitorais. Voto-formiguinha, voto-corrente, voto-carbono, urna emprenhada, urna trocada, falsificação de mapas... tudo isso é passado e poucos lembram-se desses termos de uso corrente até os anos 90 do século XX. O advento e o sucesso da urna eletrônica venceram essas trampolinagens pela simples substituição do voto em papel depositado numa urna qualquer. A importância do progresso brasileiro neste campo pode ser aquilatada se observarmos a realidade dos Estados Unidos, a única superpotência do século XXI e um dos pioneiros da democracia no mundo moderno. Pois os Estados Unidos estão, no quesito eleição, em nível bem inferior ao Brasil. E olhe que vários estados americanos estão tentando compensar a defasagem e instaram urnas eletrônicas, mas o funcionamento dessas máquinas está sendo questionado. E o temor de nova fraude nas eleições presidenciais volta ao cenário dos debates políticos nos Estados Unidos. Como se sabe, ainda hoje é contestado o resultado das eleições de 2000, quando suspeitíssima exclusão de eleitores negros na Flórida proporcionou a diferença de votos que elegeu George W. Bush. Em 27 de setembro deste ano, em artigo publicado no jornal Washington Post, o ex-presidente Jimmy Carter, um dos mais respeitados políticos americanos em todo o mundo, afirmou que ?parece provável uma repetição das irregularidades da controversa eleição de 2000?. Além do escândalo da Flórida, outro problema ocorrido na eleição americana de quatro anos atrás foi a existência de um tipo de cédula de votação que provocou confusão nos eleitores, que acabaram votando em um candidato pensando que estavam votando em outro. Tratava-se do chamado ?Voto Borboleta?, sistema que foi abandonado para as eleições deste ano. Do ponto de vista da cidadania mundial, melhor será se as eleições no país mais poderoso do mundo se dêem de forma honesta e transparente. Para nós, é melhor que além de nos orgulhar com os avanços conquistados, continuemos a avançar mais ainda, combatendo com firmeza o mercado de compra e venda de votos.

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