Opinião
Quem paga?
Voltaram os bancos a funcionar, embora a greve dos bancários não tenha sido encerrada de todo, pois depois de passado o perigo imediato do dissídio indesejado pelos sindicalistas, o caldo pode entornar novamente. Enquanto isso, a população correu aos bancos oficiais ? os que permaneciam em greve ? para saldar seus compromissos. Enquanto isso, os juros aumentaram mais um pouquinho. Pois é. Os bancários, depois de longa greve, nada de mais conseguiram para seus salários, mas os banqueiros já garantiram uma coisinha a mais em seus adiposos lucros. Segundo pesquisa realizada e divulgada pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, houve aumento dos juros cobrados em duas modalidades de crédito ao consumidor, exatamente as mais ?populares?: cheque especial e empréstimo pessoal concedido por financeiras. No tocante ao cheque especial, a taxa média pulou de 7,76% ao mês para 8,28% mensais, o que passa a significar 159,76% de juro ao ano! Já nas financeiras, o juro anual passa a custar 295,91% ao ano! O pulo mensal nessa modalidade foi de 12,02% (em agosto) para 12,15% (em setembro). E pensar que usura já foi tida como pecado mortal... Bancos abertos, os clientes enfileiraram-se por quilômetros, situação complicada ainda mais pela natural lentidão dos computadores atravancados depois de tantos dias parados. No Rio de Janeiro, só para citar um exemplo, as filas começaram a se formar às 5h30 da sexta-feira, na esperança de atendimento ainda no primeiro dia. E não serão poucas as pendências a resolver, pois daqui a pouco o usuário descobrirá que as mesas de compensação continuaram a funcionar, desconhecendo a greve, e que cheques de instituições teoricamente paradas foram duplamente carimbados sem maior cerimônia, assim como taxas, multas e juros subtraídos dos saldos de clientes que não puderam realizar as operações normais durante esses 30 dias. E quem vai pagar essa conta? Não se discute as razões dos trabalhadores lutarem por melhores salários, mas é necessário garantir que o cliente não venha a pagar pelos impasses trabalhistas.