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Nº 5692
Opinião

Esc�ndalo nacional

Comentava-se, com insistência, nos últimos dias, mas não mostravam os fatos, sobre um grande golpe que estava sendo aplicado por espertalhões, inclusive com a participação de poderosos, contra bancos e financeiras, no País inteiro. Agora vem o “estouro”

Por | Edição do dia 21/04/2002 - Matéria atualizada em 21/04/2002 às 00h00

Comentava-se, com insistência, nos últimos dias, mas não mostravam os fatos, sobre um grande golpe que estava sendo aplicado por espertalhões, inclusive com a participação de poderosos, contra bancos e financeiras, no País inteiro. Agora vem o “estouro” já em forma escandalosa, com as letras nuas e cruas da verdade, apresentando o quadro dantesco da podridão entranhada na sociedade brasileira, quando já não se respeita a lei, a justiça, os direitos e garantias individuais e, por cima, destroem-se os mais elementares princípios da ética profissional e, inclusive, dos juramentos e das obrigações funcionais. Trata-se da descoberta de uma monstruosa e douta quadrilha, com ramificação em todo o território nacional, inclusive em Alagoas, devidamente organizada e estruturada para liberar veículos alienados fiduciariamente, em razão de financiamentos para a sua aquisição. Maquinaram formas e fórmulas mirabolantes e, efetivamente, contando com a participação de integrantes da Justiça, do Ministério Público e outros segmentos, conseguiram alcançar o objetivo almejado. Se fossem crimes praticados por estelionatários ou vigaristas costumeiros e já conhecidos da polícia, ficariam apenas nos espaços policiais da Imprensa, sem outras conotações de abalo social. Mas, para completar a sujeira nacional que campeia com os seqüestros, os assaltos, os latrocínios, a pedofilia, as drogas, os desvios de comportamento de religiosos, as crianças de rua, a corrupção no serviço público etc, agora vêm áreas ligadas à Justiça e ao Ministério Público, com poder de decisão, oferecer uma maciça dose de decepção à família brasileira. Na verdade, os envolvidos são, sem sombra de dúvidas, exceções nas suas categorias profissionais e funcionais. Na regra geral, são categorias que se fazem respeitar pelo caminho retilíneo que percorrem nas suas missões profissionais. Mas, por menor e mais insignificante que seja a parcela desses homens envolvidos, que deveriam estar atentos para a responsabilidade de oferecer exemplos de dignidade à população, o crime não deixa de ser monstruoso e escandaloso para toda a sociedade. Ninguém, mesmo os de rasteiros conhecimentos jurídicos, tem dúvida de que, sem a participação e a conivência de autoridades, esse tipo de crime, ou golpe, jamais poderia ser aplicado. Não há fórmula legal para se liberar um bem alienado, sem a anuência do beneficiário. A não ser fraudando-se e falsificando-se documentos. O mecanismo utilizado, todavia, foi mais além, arregimentou-se o poder da fé de ofício e da determinação judicial e, violentando-se o Direito, promoveu-se mais um grande escândalo nacional.

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