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Opinião

De leis e de galos

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Não fosse a detenção do mais famoso marqueteiro do País numa rinha de briga de galos, essa prática ilegal nada clandestina continuaria sob a sombra da permissividade real que estimula a contravenção. Independente das repercussões político-eleitorais desse caso meramente policial, o burburinho provocado deve ser replicado com o objetivo de se manter em pauta uma série de questionamentos. Em primeiro lugar é necessário reconhecer a realidade que a briga de animais é uma mania nacional resistente às leis, e que como toda contravenção, seu caráter fora-da-lei parece estimular uma certa concepção de excelência a essa prática, que ? em função disso ? se sofistica e passa a ser responsável pela circulação de uma quantidade apreciável de dinheiro. A rinha ?estourada? no Rio de Janeiro tem instalações modernas e confortáveis e a entrada custava nada mais nada menos que R$ 50,00 ? preço que equivale a metade do ingresso num bom teatro na média do preço das produções nacionais e corresponde a quase cinco vezes o valor de um ingresso de cinema. Ou equivale a mais ou menos duas cestas básicas. Isso num País onde é zero o resultado do Fome Zero. Deve-se atentar também que as arenas onde os animais se retalham, para gáudio dos desumanos torcedores, estão espalhadas em várias camadas sociais (todas?) com opções para todo o tipo de pagante. E não se deve esquecer a modalidade de briga de canários, que em Maceió chegou a dispor, há anos, pelo menos uma conhecida rinha capaz de superlotar de carros luxuosos uma humilde rua no bairro de Ponta Grossa. Tão espalhadas estão essas alternativas de briga de animais que sua presença na Internet tem formato profissional, com endereços onde funcionam normalmente operações como leilões de galos de briga, vendas de ovos e até brigas on-line (ofertadas no sítio Cock Fighters). Segundo o jornal Estado de São Paulo, no sítio de leilões Mercado Livre, um galo de briga de raça fica na faixa dos R$ 300,00 e a dúzia de ovos que pretensamente reproduzirá galináceos briguentos fica na faixa de R$ 100,00. Pôr animais para brigar para puro deleite de humanos é proibido por lei no Brasil. Até o badalado episódio da prisão do marqueteiro preferido do presidente da República, a norma geral era o desrespeito a essa lei. Resta saber se, depois desse episódio, essa norma legal vai vigorar de verdade. A cidadania brasileira espera que sim.

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