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Opinião

Estruturas corro�das

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Brasileiro só fecha a porta depois de roubado, vaticina um ditado popular muito acertado em termos do vício pernicioso de se ?correr atrás? do prejuízo. Depois das tragédias de desabamentos de prédios que chocaram o Brasil, mais atenção passou a ser dada à conservação dos edifícios ? mas ainda estamos longe de uma acertada política de prevenção nesse campo. O Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Alagoas (Crea/AL), por intermédio de seu vice-presidente, alertou para o fato de que cerca de 40 prédios da orla de Maceió padecem de problemas em suas estruturas físicas. Acrescentou que tais problemas devem-se, em sua maioria, à falta de manutenção, outros são vítimas de falhas durante a construção. No tocante à manutenção, vigora um mito pernicioso de que determinadas construções não precisariam de manutenção regular, que seriam ?sólidas demais?. Há quem ache que as propostas de vistoria nos prédios se destinam a ?inventar obras? para que firmas de engenharia e de manutenção ganhem uns trocados. Existe, é forçoso reconhecer, um clima de pão-durismo perigoso que busca economizar em itens preventivos essenciais. Essa cultura da ignorância deve ser combatida, até ? e principalmente ? pela força e autoridade do poder público. Força e autoridade do poder público que devem começar a ser exercitadas desde antes da colocação da pedra fundamental. É notória a qualificação dos quadros municipais para o julgamento dos projetos apropriados, assim como é público o esforço comum (da prefeitura e do Crea) em fiscalizar as obras. Mas mesmo assim, escapam falhas grosseiras que ? mais cedo ou mais tarde ? vão ameaçar os moradores. Essas falhas ?durante a construção? precisam de uma redobrada fiscalização. Não basta se cobrar impostos e aplicar multas ? é necessário orientar, acompanhar, embargar, liberar ou bloquear o ?habite-se? de acordo com cada realidade. A situação do Edifício Athenas, hoje sob risco de desabamento, é um desses exemplos de sofrimento por parte de seus moradores, padecentes de uma via-crúcis que se arrasta há mais de dez anos, pois apesar de todos os impostos, taxas e demais emolumentos religiosamente cobrados e pagos, nem a legalização do imóvel foi possível até agora ? quando a edificação praticamente precisa ser reconstruída. Segundo o vice-presidente do Crea, mais quarenta prédios podem vir a correr riscos. O que o poder público está fazendo para enfrentar esse problema, além de cobrar taxas, impostos e multas?

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