Opinião
Elei��o ao Norte
Única superpotência mundial desde que a finada União Soviética ruiu e se esfarelou rapidamente a partir de 1989, os Estados Unidos concentram as atenções de todo o mundo acerca de suas questões domésticas. Com razão, pois todo o resto do mundo sabe que o decidido nos intestinos da América desaguará em todo o globo, respingando em todos. ?Eleições? virtuais são realizadas em todo o mundo e nesses pleitos globais, Jonh Kerry tem conquistado vitórias acachapantes de até 83% dos ?votos?. Nos Estados Unidos, a coisa é diversa. Iniciadas as votações, a situação é indefinida, com todos os institutos de pesquisa apontando rigorosos empates técnicos. Isso só faz aumentar a tensão e o interesse internacional pelo resultado do pleito, considerado o mais disputado na história americana. As dificuldades de previsão estão ligadas também ao confuso sistema eleitoral americano, que é indireto, com a decisão final cabendo a um colégio eleitoral onde se reúnem os eleitores delegados dos estados, onde cada candidato vitorioso fica com a totalidade dos delegados ? daí, com a eleição empatada em termos do voto do cidadão comum, fica bem mais difícil calcular quais estados ficarão com quem, pois um voto basta para desequilibrar a balança para um lado. No caso americano, literalmente, as eleições para presidente têm de ser acompanhadas até o último voto. Nesse processo participam diretamente cerca de 50 mil brasileiros (cidadãos naturalizados). Segundo informações da britânica BBC, em Miami, cerca de 500 brasileiros estão atuando fortemente como ativistas eleitorais, a ponto de terem organizado uma poderosa passeata que teve o apoio e a participação do prefeito local. Para o Brasil e para a América Latina, no entanto, segundo analistas internacionais, não são esperadas diferenças significativas na política americana, seja Kerry eleito ou Bush reeleito. ?Os Estados Unidos vão ter muitas preocupações no curto prazo com o Iraque, a Coréia do Norte e o Irã. A América Latina vai ficar em segundo plano?, segundo avaliação de Peter Hakim, presidente do Diálogo Interamericano, uma instituição de pesquisa de Washington, que acrescenta: ?Talvez negociações comerciais sejam um pouco mais fáceis com Bush e talvez Kerry seja um pouco menos agressivo com Cuba, mas não há diferenças fundamentais entre os dois candidatos (quanto à América Latina)?. De toda forma, é justo que o Brasil e o mundo prestem toda a atenção às eleições americanas.