Opinião
Olhos bem abertos
Destaques nas manchetes de ontem, duas ocorrências de assalto aos cofres públicos estão sendo exemplarmente tratadas e são casos que devem ser divulgados, acompanhados, até para servirem de lição. Durante muito tempo se espalhou pelo Brasil a nociva interpretação que poderia ser resumida assim: ?a propriedade pública não tem dono?. E os bens públicos foram sendo apropriados indevidamente, misturando no imaginário popular desde fatos verídicos (apurados ou não) até meras armações políticas, denúncias vazias realizadas com o fito de prejudicar alguém. No imaginário popular, marcado pelo longo histórico de injustiças sofridas, foram se consolidando versões de que ?todo político é ladrão?, ?cadeia só para pobre e preto?. Embora falsas e preconceituosas tais versões se respaldavam, ao longo dos tempos, em casos reais de impunidade para uns e penas injustas para outros. No cômputo geral, apenas a cidadania sai perdendo com a cristalização dessas máximas. Fortalecer a cidadania é reforçar a cobrança pela apuração de toda e qualquer malversação do erário. Nesse sentido, além de cobrar, é necessário ressaltar o trabalho positivo das autoridades responsáveis pela fiscalização e apuração de tais ocorrências. Dois casos têm ocupado, com merecidas razões, as manchetes da imprensa alagoana nos últimos meses: o desvio de recursos da Secretaria de Saúde e o sumiço do dinheiro enviado para compra de armas no exterior. Não têm descansado as autoridades responsáveis por essas apurações. Em ambas, o Ministério Público tem revelado denodo, persistência e consciência plena e prática de seu dever. A cada dia, novas descobertas vão esclarecendo a densa rede construída para sugar os recursos que deveriam estar sendo usados em benefício da saúde dos alagoanos. A cada dia, o poder público alagoano reafirma que não se conforma nem transige com o desaparecimento da soma que saiu dos cofres públicos com o destino de adquirir armas para a segurança. Ambos os casos estão em andamento e ainda esperam soluções definitivas, com a identificação de todos os envolvidos e o envio de seus nomes às barras da Justiça, assim como se espera a devolução dos recursos desviados. Ambos os casos, por seus encaminhamentos acertados e transparentes, reforçam o sentimento de confiança da cidadania em que o público tem dono, do público se cuida e quem rouba terá punição. São lições necessárias de serem reafirmadas cotidianamente, como se está a fazer nesses dois casos.