Opinião
A Europa e Maria
DOM EDVALDO G. AMARAL SDB * Queiramos ou não, a Europa continua a ter influência internacional, decisiva para a formação cultural do mundo inteiro. Isso, apesar e além da emergente cultura americana -e estamos na semana das eleições dos Estados Unidos, que atraem a atenção mundial ? influência que vai do Japão, (com a juventude imitando os modelos americanos no traje, na música e em tantas manifestações americanizadas) até a nova Rússia e a China, sem falar da América Latina, toda ela subordinada aos padrões culturais americanos. Mas o chamado ?Velho Continente? continua a ?dar as cartas? na arte, na política, nas tradições universitárias, despertando sempre o interesse cultural do mundo ocidental, que dela tanto recebeu na história, que não pode ser esquecida. Em maio deste ano, com a ampliação da União Européia (UE), criação dos dois grandes líderes, Adenauer, da Alemanha, e De Gasperi, da Itália ? que sofreram na pele os horrores da II Guerra Mundial - e a valorização do euro sobre o dólar, a imprensa mundial está fazendo interessantes comentários sobre a nova Europa. ?A Europa sem Varsóvia é como Roma sem o Coliseu? ? afirmava recentemente a revista ?Luoghi dell?Infinito? citada numa publicação salesiana de Bologna. Era um insulto ao bom senso, antes de sê-lo à política, continua a revista. Por meio século, a UE desconheceu não só a capital da Polônia, mas também Budapeste e Praga. Agora, finalmente o erro foi reparado. A UE resceu para o Leste e para o Sul. Dez novos países fazem agora parte do Europarlamento. São nações ricas de história, exatamente Polônia, Hungria e a República Checa. Sua entrada na UE é ainda benéfica conseqüência da queda do Muro de Berlim em 1989. A esses, vieram unir-se a Eslováquia, a Eslovênia e as repúblicas do Báltico, Estônia, Letônia e Lituânia. Na área do Mediterrâneo, ingressaram Malta e Chipre, pequenas territorialmente, mas de grande importância estratégica. Mas já batem à porta da União Européia outras nações. Em 2007, será a vez da Bulgária e da Romênia. Todas nações oprimidas pelo regime comunista da extinta União Soviética, mas que sempre se sentiram européias, apesar da política, sem o seu consentimento, ter decidido o contrário. E, falando da Europa, parece-me oportuno transmitir aqui uma informação, para nós curiosa e agradável. É um dado do jornalista Sílvio Polisseni. Ele contabiliza, na mesma revista de Bolonha, 1.500 santuários marianos na Itália. E acrescenta que nas outras nações cristãs da Europa, não são poucos os santuários dedicados à Virgem. A Idade Média deu à Europa uma forte marca mariana, que, também depois da Reforma protestante, permanece bem nítida. Carlos Magno dedicou a Maria (la Dame!) não só todos os seus empreendimentos, mas o templo dourado de Aix la Chapelle (hoje Aachen, na Alemanha). De seu exemplo, se seguiram a Catedral de Rouen e a de Chartres, hoje ainda metas de peregrinações nacionais. A Inglaterra tem a Senhora de Radecliff, a Senhora de Worcester, a Senhora de York... e outras mais, todas exaltadas pela devoção de S. Anselmo de Canterbury. A Espanha, depois de Cavadonha, tornou-se missionária da devoção mariana com a sua ?Santa Maria?, com que Cristóvão Colombo partiu de Palos para a conquista do Novo Mundo. Na Alemanha, lembra o Polisseni a suntuosa catedral de Bamberga, dedicada a Nossa Senhora, e para cuja consagração o papa levou Guido d?Arezzo, que com sua ?Salve Regina? dava início à união do gênio musical italiano com o alemão, união que teve imensas repercussões artísticas nos dois povos desde então. Esta é a Europa, cristã e mariana, que deve ser preservada para riqueza do patrimônio espiritual da humanidade. (*) É ARCEBISPO EMÉRITO DE MACEIÓ