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Ficai conosco!

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DOM JOSÉ CARLOS MELO, CM * No mês em que a Igreja inicia gloriosamente o Ano da Eucaristia, o Santo Padre o inaugura com a Carta Apostólica Mane Nobiscum, Domine: Senhor, ficai conosco! (Lc 24,29), suscitando em nossos corações o desejo de uma entrega total da nossa vida a Jesus Cristo. Na leitura do documento, logo de início, somos convidados a viver mentalmente aquele momento em que Cristo, após sua morte, apareceu aos discípulos de Emaús, e revelou-se aos poucos, passando de simples forasteiro ao Messias ressuscitado. Aqueles homens, acabrunhados pela morte do Mestre, insistiram para que o peregrino não os abandonasse: Senhor, ficai conosco!?. Mais à frente, tratando da importância da Santa Missa, João Paulo II também citará as palavras de Jesus: ?Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo? (Mt 28,20). O Pontífice, recordando-nos estas palavras de Nosso Senhor, dá-nos belíssimas pistas de interpretação ao pensar que sua permanência física conosco após a Ressurreição duraria apenas 40 dias... Teria sentido que o ?esperado das nações?, o Messias prometido após milênios, nascesse para estar somente 33 anos na Terra? E entre os homens, concretamente, apenas 3? Para depois morrer, e, após sua ressurreição, subir aos céus, deixando-nos unicamente os seus discípulos e sua Mãe e o testemunho de seus ensinamentos? Pois é claro que não! Ele prometeu estar conosco e de fato está todos os dias. É com razão que o Sumo Pontífice afirma: ?A narração da aparição de Jesus ressuscitado aos dois discípulos de Emaús ajuda-nos a pôr em destaque um primeiro aspecto do mistério eucarístico, que deve estar sempre presente na devoção do povo de Deus: ?A Eucaristia, mistério de luz!?. A Carta Mane Nobiscum, Domine, de maneira toda especial, salienta a necessidade da freqüência ao banquete eucarístico como meio de reconhecer a Cristo: ?É significativo que os dois discípulos de Emaús, devidamente preparados pelas palavras do Senhor, O tenham reconhecido, quando estavam à mesa, através do gesto simples da fração do pão. Uma vez iluminadas as inteligências e rescaldados os corações, os sinais falam. A Eucaristia desenrola-se inteiramente no contexto dinâmico de sinais que encerram uma densa e luminosa mensagem; é através deles que o mistério, de certo modo, se desvenda aos olhos do crente?. E, mais adiante, o Papa insiste: ?Como sublinhei na encíclica Ecclesia de Eucharistia é importante que nenhuma dimensão deste Sacramento fique negligenciada. Com efeito, subsiste sempre no homem a tentação de reduzir às suas próprias dimensões a Eucaristia, quando na realidade é ele que se deve abrir às dimensões do Mistério. A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambigüidades e reduções?. O caráter sacrifical da Eucaristia é sublinhado no documento, relembrando-nos que embora Cristo esteja presente ressuscitado, Ele traz consigo os estigmas luminosos de sua Paixão, da qual cada Santa Missa é ?memorial?, recordada na aclamação após a Consagração: ?Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa Ressurreição...?. ?Ao mesmo tempo que atualiza o passado, a Eucaristia projeta-nos para o futuro da última vinda de Cristo, no final da História. Este aspecto escatológico dá ao sacramento eucarístico um dinamismo cativante, que imprime ao caminho cristão o passo da esperança?. É oportuno recordar a seguinte afirmação do Papa: ?Fonte da unidade eclesial, a Eucaristia é também a sua máxima manifestação?. Há poucos dias, em festa, Maceió assistiu, no Ginásio do Sesi (Trapiche), à II Jornada de Maria, sob o tema: ?Maria, Artífice da Unidade?. Vê-se aí não só uma mera simetria, mas sim que Maria encontra sua força unificadora na fonte, que é Cristo Jesus. Não houve criatura no mundo nem haverá quem tivesse vivido a Eucaristia como Maria! Maria foi o sacrário vivo de Jesus durante seus nove meses de gestação e o recebeu inúmeras vezes em sua vida terrena das mãos dos Apóstolos. Ela, melhor que qualquer criatura, pode nos indicar o modo mais digno e perfeito de receber, adorar e render graças a Jesus Eucaristia. ?Permanecei em Mim e Eu permanecerei em vós (Jo, 15,4). Que o presente ano torne estas palavras de Nosso Senhor mais do que nunca realidade em nós, fazendo-nos um só corpo com a Igreja e seus ministros! (*) É ARCEBISPO METROPOLITANO DE MACEIÓ

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