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Opinião

Inovação como modo de pensar

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Por Eduardo Fischer - CEO da MRV | Edição do dia 06/08/2022 - Matéria atualizada em 05/08/2022 às 22h34

Falar de inovação em um universo tipicamente “conservador” como o da construção civil é, naturalmente, desafiador. É fato que o setor não evoluiu tão dinamicamente como poderia — com processos aplicados da mesma maneira há décadas e modelos de negócios estagnados no tempo.

Além de repensar esses modelos, para que sejam mais conectados aos novos comportamentos e necessidades das pessoas, grandes empresas têm buscado alternativas em processos construtivos que favoreçam a produtividade, a qualidade, a economia e as relações profissionais e com a cadeia de fornecedores, elevando a régua da sustentabilidade. E, isso é positivo! Mas, ao mesmo tempo, nos deparamos com um quadro global alarmante: o UN Habitat — programa da ONU para o desenvolvimento de cidades e comunidades inclusivas, seguras e sustentáveis — aponta que no mundo 100 milhões de pessoas não têm onde morar. Já no Brasil o déficit habitacional gira em torno de 6 milhões de moradias. Um milhão de novas famílias são criadas todos os anos, e uma indústria nacional que entrega meio milhão de casas anualmente, fica claro que a conta não fecha. Diante disso, é urgente aprimorar a capacidade do setor em suprir a demanda. Sabemos que na equação não entram apenas as unidades que podem ser construídas ao longo do tempo; também é fator fundamental a questão do acesso à moradia. Sabemos, também, que a resposta para acelerar a evolução e a mudança está, sim, na inovação. Então, como incorporá-la definitivamente à realidade do setor? Mais do que um “refresh”, acredito em um “restart” na própria maneira de pensar a inovação. Se seguirmos olhando para o que sempre fizemos, vamos continuar colocando a inovação em um lugar “instrumental”, focando mais na produção do que na resolução do problema. E ainda que isso seja importante — toda empresa tem que gerar resultados— certamente não é tudo. A inovação precisa assumir um papel de “modo de pensar” se quisermos que a transformação venha do próprio setor. Caso contrário, seremos tomados de assalto por ela. Em vez de sermos absorvidos pelo instinto de sobrevivência, precisamos absorver aquilo que catalisa a mudança. É preciso que as lideranças dediquem tempo para olhar para o futuro e que ampliem o foco para além da operação do dia a dia. Envolver novos agentes e, a partir do apoio da nossa indústria, dar a eles um poder que eles ainda não têm. A mudança vai acontecer. Principalmente porque ela precisa acontecer. Cabe ao setor trilhar o caminho para ser parte — e não espectador — dela.

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