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Arte, amor e medicina

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José Medeiros * Fui a Salvador (BA) participar do Congresso Brasileiro de Medicina e Arte e do Encontro Brasileiro de Médicos Artistas. Uma festividade de confraternização e de muitas alegrias, que reuniu profissionais de saúde que amam as artes e os que amenizam suas vidas com a inclusão de atividades artísticas e culturais. Foi destacada a importância das artes como contribuição ao humanismo do desempenho médico e à sensibilidade do relacionamento médico-paciente. A íntima relação entre a medicina e as artes transformou-se na espinha dorsal das temáticas desenvolvidas. O cirurgião plástico Ivo Pitanguy, membro da Academia Brasileira de Letras, afirmou de certa feita: ?Cada vez que um médico escreve um poema, pega um pincel para pintar um quadro, faz uma escultura, realiza um trabalho de medicina estética ou reparadora, toca um instrumento musical ou escreve um texto literário, este médico, engaja-se num ato criativo, reafirma, sustenta e embeleza alguns dos princípios básicos da humanização da profissão médica, amenizando os estresses do dia-a-dia?. Numa das reuniões literárias, foi-nos contada uma pequena história que bem demonstra como fatos imprevistos podem contribuir para descobertas na medicina. Vejamos a historieta, intitulada ?luvas do amor?: Sabe-se que, até meados do século XIX, um dos maiores problemas nas cirurgias realizadas era a contaminação das lesões dos pacientes, através das mãos de médicos e assistentes. Até então, não eram conhecidos os micróbios, bactérias e vírus. As infecções pós-operatórias eram freqüentes. Um curioso caso de amor evitou esses problemas nos atos cirúrgicos dos anos que se seguiram. O Dr. Halsted, do Hospital Hopkins, Baltimore (EUA, 1870), apaixonou-se por uma belíssima enfermeira, hábil instrumentadora e auxiliar de todas as suas cirurgias, por mais difíceis que fossem. Como, nessa época, não havia luvas, os preparativos para as cirurgias incluíam a lavagem das mãos com soluções desinfetantes. Pelo uso constante dessas substâncias químicas, a enfermeira desenvolveu uma grave inflamação na pele das mãos; os ferimentos impediram o manuseio dos instrumentos cirúrgicos nas operações. O cirurgião ficou desesperado, não conseguia realizar bem os atos cirúrgicos apenas com o apoio de outros assistentes. Mas, o Dr. Halsted não se deu por vencido: dedicou-se a encontrar uma solução que permitisse o retorno de sua amada auxiliar. Pediu a um microempresário que fabricasse invólucros de borracha (futuras luvas) para proteger as mãos durante as cirurgias. O fabricante conseguiu criar luvas rudimentares e isso permitiu que a enfermeira pudesse voltar às suas atividades. Entretanto, um fato observado criou polêmica científica: a constatação de que as terríveis infecções pós-operatórias haviam diminuído, sensivelmente, após o uso das luvas, que daí em diante passaram a ser conhecidas como as ?luvas do amor?. Se o amor venceu mais uma batalha, a medicina alcançou mais um importante degrau em sua caminhada. Um final feliz. (*) é médico e ex-secretário de Saúde e de Educação

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