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PARTIU NOSSA MUSA, DONA LYSETTE LYRA

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Há 7 anos, escrevi aqui mesmo na Gazeta de Alagoas uma crônica: “A MUSA DONA LYSETTE LYRA”, onde disse: há pessoas que têm o dom de encantar, pelo sorriso, pelos gestos e pela atuação: assim é a jovem de 91 anos, D. Lysette Fernandes de Gusmão Lyra.

Hoje, recebo a triste notícia de sua partida. D. Lysette foi uma figura ímpar, amiga e literária de nossa sociedade, que hoje encontra-se em luto. Nascida no mês de fevereiro, tinha uma veia carnavalesca e comemorava seus aniversários com inesquecíveis festas temáticas, sendo a protagonista com elegantes e luxuosas fantasias. D. Lysette foi sinônimo de versatilidade: escritora, empresária de turismo – pioneira em nosso estado, ótima quituteira, habilidosa costureira, estudiosa da arte, excelente anfitriã, enfim, nossa dinâmica musa era talentosíssima. Tive a honra e o prazer de atendê-la, durante anos, em meu consultório médico. Dizia-me: Mirian, o seu Gusmão é o mesmo meu. E eu lhe respondia: Sei disso, Dona Lysette, pois papai era muito amigo e parente de seu esposo, Dr. José Lins de Gusmão Lyra. Cícero e eu tivemos o privilégio de acompanhá-la, em diversas viagens, sempre muito divertidas. De humor e atitudes criativas, estava sempre risonha. Em várias ocasiões festivas, já com alguma dificuldade de andar, dizia-me: Minha filha, faça meu prato, mas, esqueça de que é médica, e seja generosa nos doces. Deixava-me numa “sinuca de bico”, pois sabia que era diabética, e, hesitante, equilibrava seu prato com saborosos salgados. Fui brindada por essa estimada confreira da Academia Alagoana de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico, com uma carinhosíssima crônica. Generosidade também fazia parte de seu cotidiano. Difícil encontrar adjetivos que abranjam sua magnitude. Em uma de suas últimas festas, comemorando 95 anos, momento em que lançou mais um livro, convidou-me para fazer algumas considerações sobre sua obra. Sempre um grande prazer atendê-la. Aos queridos amigos Ledinha e José Carlos, Delano e todos os netos, meu abraço de pesar. Triste, despeço-me da querida amiga, tendo a certeza de que ela jamais será esquecida. Durante sua luminosa passagem entre nós, plantou sementes de extraordinárias atitudes, e sempre colheu frutos de seus generosos gestos. Há criaturas que, ao ausentar-se, deixam trilhos iluminados. Assim é nossa saudosa homenageada. Partiu nossa musa, Dona Lysette Lyra.

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