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Câncer – onde estamos?

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Existem dezenas de tipos de câncer, doença ocasionada pelo crescimento desordenado de células que podem invadir tecidos e órgãos. A doença tem agressividade diferente, a depender de inúmeros fatores: da pessoa, do tipo, do tamanho, da extensão, da localização do tumor, além de outras características. Ela se origina em diferentes tipos de células, levando a diferentes tipos de câncer. Cânceres diferentes também podem ocorrer tendo como origem o mesmo tipo de célula, em um mesmo tecido ou órgão.

Há quem fale que o primeiro registro conhecido de câncer foi num papiro egípcio, 2600 anos antes de Cristo. O grego Hipócrates, Pai da Medicina, por volta de 400 a.C. utilizou a palavra karkinos, que no grego significa caranguejo. A cirurgia oncológica também é antiga. As primeiras referências datam de 1600 a.C. Contudo, a grande escola de cirurgia oncológica iniciou no final do século XIX, nos EUA, com William Halsted, preconizador da cirurgia radical para câncer de mama, hoje cada vez menos utilizada.

Há ainda no Brasil um forte estigma relacionado à doença, que para alguns ainda significa sentença de morte. Graças à evolução do conhecimento, da boa ciência, conseguimos curar muitos pacientes, e esse percentual é maior quanto mais precoce é o diagnóstico e o tratamento rápido e adequado.

O melhor sempre será ter o paciente certo, no lugar certo, na hora certa, tratado pela equipe certa. Ao avançar no diagnóstico precoce, conseguimos prevenir o câncer quando for possível; o de colo uterino é um bom exemplo. Feito o diagnóstico de câncer, que seja preciso, bem estadiado, avaliando a extensão da doença e o tratamento instituído. E existem várias modalidades para tratá-lo: cirurgia, quimioterapia, radioterapia, hormonioterapia. Tivemos avanços ao se conhecer ainda melhor a biologia dos tumores, possibilitando cirurgias e tratamentos menos radicais. A anatomia patológica evoluiu com técnicas cada vez mais assertivas e sofisticadas, como a biologia molecular e a oncogenética. As drogas quimioterápicas evoluíram com novas descobertas (imunobiológicos, droga-alvo, por exemplo), com resultados cada vez melhores, menos efeitos adversos, melhores respostas e maior índice de cura. A radioterapia, com suas novas técnicas, é ainda mais eficiente, controla e cura mais, com menor dano aos tecidos e órgãos vizinhos. Via de regra, o tratamento é multidisciplinar, englobando diferentes áreas que compreende, além de médicos, profissionais da enfermaria, psicologia, fisioterapia, farmácia, fonoaudiologia, terapia ocupacional, educação física, odontologia. Um centro multidisciplinar de câncer traz progresso, levando a resultados cada vez melhores em termos de cura, sobrevida e, principalmente, qualidade de vida. Além disso, a medicina de precisão na área da oncologia é uma realidade cada vez mais presente. Ela possibilita que tratemos os pacientes de maneira mais eficaz, com segurança, levando a melhores desfechos clínicos. Sigamos adiante e façamos cada vez mais e melhor pelos nossos pacientes. A saúde é nosso bem maior. O câncer pode ser curado.

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