Opinião
Peste contempor�nea
Deve continuar preocupando o mundo a questão da Aids. O assunto não pode sair de pauta, pois o mal continua a se alastrar em todo o globo. Segundo pesquisas da agência da ONU para a Aids (Unaids), somente neste ano em curso mais 4,9 milhões de pessoas contraíram o vírus. Entre essas, pelo menos 640 mil crianças menores de 15 anos. A pesquisa da Unaids, divulgada esta semana em Londres, informa ainda um aumento do número de portadores do vírus HIV em todo o mundo, alcançando hoje 39,1 milhões de pessoas, tendo sido registrado um crescimento maior entre as mulheres. As mulheres atingem a cifra de 47,3% dos adultos contaminados, o que é considerada uma incidência recorde, constituindo-se assim um exército de 17,6 milhões de mulheres adultas contaminadas. O Brasil, alerta a Unaids, concentra um terço de todas as pessoas infectadas da América Latina. A organização chama a atenção ainda para o fato de que as autoridades brasileiras não podem menosprezar a via de contaminação pelas drogas injetáveis (referência à linha de combate quase que exclusivamente dedicada à transmissão sexual). E exemplifica que em 2003, por exemplo, o número de casos de contaminação entre usuários de drogas injetáveis em Porto Alegre representava 64% do número ocorrências registradas na cidade. Cerca de 3,1 milhões de pessoas morreram neste ano, vítimas da Aids. E a mais dramática das realidades continua situada na África, principalmente em sua região subsaariana, onde definham cerca de 25,4 milhões de pessoas (metade da população infectada no mundo). A África do Sul ainda é o país com a maior população infectada e o relatório lamenta o fato de que o número de infectados não vem caindo naquele país, onde, para piorar a situação, cresce o número de casos de Aids entre jovens grávidas. Uma verdadeira peste medieval em pleno século XXI. O crescente aumento dos casos demonstra a impotência em se estabelecer políticas de prevenção. E um outro dado precisa ser mais apropriadamente levantado ? a situação de tratamento dos infectados. Não foram divulgadas informações precisas de como está a qualidade de vida e como estão sendo tratados esses milhões de pacientes. Conhecer isso é também fundamental para que, ao lado da cobrança das políticas preventivas, possam ser exigidas significativas ampliações no tratamento dos infectados, notadamente, para essas massas de excluídos nas regiões mais pobres ? o que quer dizer ser necessária a retomada da batalha na Organização Mundial do Comércio contra a obtusa visão dos laboratórios que obstaculizam a flexibilização das leis e normas de patentes para esse caso específico: o tratamento de milhões de seres humanos que não dispõem de recursos para tal.