Opinião
O 7 de setembro
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“O amor não se define pela dicotomia agir versus falar, mas sim pela aglutinação das duas coisas. O amor deve ser falado e demonstrado com ações”. O autor, Gonçalves Ledo, estadista e poeta, foi o inspirador de José Bonifácio de Andrada, o Patriarca da Independência, e o idealizador da primeira Constituição nacional ainda quando éramos domínio de Portugal. Foi também o primeiro brasileiro a pleitear o voto direto (para a eleição dos constituintes), ideário republicano inalcançado então. Nosso parque Gonçalves Ledo era o ponto de encerramento das noitadas de jovens para comer uma famosa macarronada no bar do Wilson. Ali, por décadas, o Dr. Milton Hênio atendeu gerações de crianças até aposentar-se na pandemia, deixando imorredouras saudades na sua vasta clientela.
Gonçalves Ledo, esquecido na celebração do Bicentenário da Independência, lamentaria termos chegado às vésperas dos 200 anos da Independência, a serem celebrados no próximo dia 7 de setembro, e em vez de vivermos um clima festivo de congraçamento e confraternização nacional, que envolva toda a população, independentemente de suas opções político-partidárias que sejam compatíveis em uma democracia e seja adequado ao momento, que só ocorre a cada 100 anos, exista receio da recorrência de tumultos como os do ano passado, quando várias cidades pelo Brasil foram ocupadas por grupos de extremistas, que embora representem uma fração minoritária da população, foi e é muito barulhenta e age repetida e frontalmente contra a democracia e suas instituições. O Exército brasileiro, protagonista nas celebrações do 7 de setembro, nasceu oficialmente entre 1821 e 1822 ao proclamar sua independência da organização castrense portuguesa à qual era submissa. Entre as suas páginas mais gloriosas está a participação da FEB na Segunda Guerra mundial ao lado dos aliados, que defendiam a democracia contra as tiranias nazifascistas. É uma instituição permanente do Estado Democrático de Direito. O respeito à Constituição e suas normas legais que regem todas as atividades nacionais, delineiam as suas atividades, e a população brasileira confia que as Forças Armadas se manterão coesas na preservação de suas atribuições constitucionais e a protegerão de qualquer tipo de radicalização. O Bicentenário da Independência terá a população brasileira confiante que contará com a segurança e a tranquilidade para celebrar essa magna data com a dignidade que se faz necessária, protegida por seus agentes públicos, sejam civis ou militares, com as suas obrigações cívicas e constitucionais, e de vigilância para proporcionar a paz, o respeito e a segurança indispensáveis, o que é quase o amor preconizado por Gonçalves. A democracia é o maior patrimônio da celebração do Bicentenário da Independência e a sua preservação é a principal missão da nacionalidade, devendo estar unidos em sua defesa todos os brasileiros – o povo, políticos, instituições, autoridades, ao lado as forças de segurança do País.