Opinião
NOVOS E VELHOS DESAFIOS
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Há exatamente 200 anos, Dom Pedro, príncipe herdeiro do trono português, deu o grito às margens do Riacho do Ipiranga, em São Paulo, e declarou o território brasileiro independente de Portugal. Ao nascer, ao contrário das colônias espanholas, a nação brasileira não se transformou numa república, mas numa monarquia, e seu primeiro chefe de Estado foi o próprio Pedro. Para alguns historiadores, o fato de se tornar uma monarquia evitou que o território se fragmentasse.
Deve-se lembrar que, antes da independência, praticamente não havia um sentimento de nacionalidade no Brasil. O território colonial brasileiro consistia de vários núcleos coloniais sem unidade política e econômica. Esse sentimento de nacionalidade só começou a se formar após 1822, quando D. Pedro, o jovem e impetuoso príncipe regente, forçado pelas circunstâncias, resolveu cortar os laços com a corte portuguesa e se tornou o primeiro imperador do País. Na época, éramos um país formados de escravos e analfabetos. Tínhamos tudo para dar errado, mas graças a uma combinação de sorte, acaso, improvisação e sabedoria, o Brasil conseguiu manter-se unido e se firmar como nação independente. Mais ainda, superamos crises políticas e econômicas e, com avanços e reveses, nos tornamos uma das dez maiores economias mundiais. O Brasil de hoje deve sua existência à capacidade de vencer obstáculos que pareciam insuperáveis 200 anos atrás. Portanto, a resiliência parece ser nossa maior qualidade. A independência foi o primeiro passo de um caminho que tem se revelado difícil, longo e turbulento. Ao completar 200 anos de independência, o Brasil se depara com novos e velhos desafios. Continuamos a ser um país muito desigual. Uma parte significativa de nossa população se encontra em situação de insegurança alimentar. Também não conseguimos ainda resolver a questão racional. Entretanto, se olharmos para a própria história brasileira, haveremos de achar motivos para ter esperanças. Como mostrou o jornalista e historiador Laurentino Gomes, em seu livro 1822, o Brasil tinha tudo para dar errado, mas, apesar de tudo, nos tornamos um grande país.