Opinião
Minha cren�a
DOM FERNANDO IÓRIO * Creio em Deus. Por isso, sou feliz na terra em que vivo, em que caminho, em que choro e rio, em que trabalho e rezo. Sou feliz, porque posso declarar ao homem, meu irmão: EU CREIO EM DEUS. Aí ? e tão-somente aí ? repousa a sublimidade de minha vida, de toda a minha existência. Creio em Deus! Minha crença adulta repousa, de todo, na revelação do próprio Verbo Encarnado, meu Redentor pela cruz, meu Irmão pela graça, minha esperança pela ressurreição. Creio em Deus! Crendo nEle, renego todos os ídolos do mundo, forjados por filósofos e sábios, todos os mitos criados pelo progresso e pela ciência, todas as utopias que os extremismos anunciam e prometem. Creio em Deus!, não sou ? como as folhas e muito menos como o grão de poeira ? uma simples COISA. Quando proclamo minha fé em Deus, eu me sublimo, eu me afirmo uma pessoa, aquele ser responsável, conscientemente, por meus atos! Vou mais além: pela minha crença sem restrições, eu me reafirmo pessoa no tempo para a eternidade. Porque nEle eu creio, sou candidato, nos fins dos tempos, à ressurreição gloriosa e à vida eterna. Creio em Deus! Sem dúvida alguma, minha asserção cria em mim aquela fabulosa disponibilidade de viver sorrindo e esperançoso, tropeçando nas pedras e cascalhos da vida, sangrando os pés nas urzes do caminho, mas sempre purificando o corpo chagado nas águas cristalinas e sobrenaturais das fontes do meu Senhor. Creio em Deus! Aí a garantia de viver com o Imutável Pessoal que me ama infinitamente. Donde, quanto mais me adentro em minha fé e mais penetro no oceano do mistério, tanto mais me uno a Ele, mais dEle vivo e, como Lourenço, nas grelhas sobre as brasas, às portas da eternidade, entrego-lhe o ser para que Ele o queime até que fique crestado, febril e sedento, como a terra seca e rachada do Nordeste, aguardando os clarins ?chuventos? da ressurreição. Creio em Deus, para doá-lO aos outros. Crer em Deus é compromissar-se com os outros, mormente com os sem fé. Certa feita, passava Jorge Borrow, ilustre romancista inglês, perto de um acampamento cigano, nos arredores de Chester, quando alguém, julgando-o ministro de uma religião, rogou que parasse, suplicando: ?Senhor padre ou ministro, dê-nos uma boa palavra: dê-nos Deus?. - Eu não sou padre, nem ministro. Que o Senhor tenha misericórdia de vós! Não vos posso dizer outra coisa ? respondeu Borrow. E se foi afastando, oferecendo às crianças algumas moedas, quando uma velha cigana gritou-lhe: ?Guarde o seu dinheiro. Nós não temos precisão de dinheiro. Nós queremos Deus. Dê-nos Deus. GIVE US GOD?. Sim, quem crê em Deus arca com a imensa responsabilidade de fazer Deus chegar até os homens. Creio em Deus! Grito sublime que entoamos na terra, mas que, na eternidade, será um ato perene de amor. (*) É BISPO DE PALMEIRA DOS Índios