Opinião
Sobe e desce
Com entusiasmo, o governo federal comemora um inédito aumento no Produto Interno Bruto (PIB). Segundo os números do IBGE, esse é o melhor resultado durante os últimos oito anos, quando no terceiro trimestre deste ano foi registrado um crescimento do PIB 6,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, este é o melhor resultado entre todos os terceiros trimestres calculados desde 1996. Segundo a imprensa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ?está radiante? com o resultado. É um resultado a se comemorar, não resta dúvidas. É uma das mais significativas conquistas do governo Lula no campo macroeconômico, e tal resultado também não deixa dúvidas de que fortalece ainda mais o poder da dupla de czares da economia, Henrique Meirelles e Antônio Palocci. Igualmente não dá para negar que vai esquentar o debate entre os campos de defensores da linha Palocci & Meirelles (prioridade para a macroeconomia) e as brigadas do ?social como prioridade total? (que se proliferam dentro e fora do PT, ganhando espaços na base partidária aliada e nas entidades não-governamentais). A bem da verdade, os resultados divulgados pelo IBGE que deixaram radiante o presidente Luiz Inácio Lula da Silva certamente não causaria nenhuma euforia no sindicalista Lula, pois um outro dado ? pouco salientado pelos analistas econômicos ? indica que apesar do crescimento geral do PIB, diminuiu a fatia desse bolo que corresponde aos trabalhadores. Lendo com mais atenção os dados do IBGE, se vê com clareza que o arrocho começado em 2001 continua a todo vapor. Em 2003, a remuneração dos trabalhadores correspondia a 37,9% do PIB e em 2003 desceu para 35,6%. Como riqueza não some, muda de dono, é interessante notar que o lucro (excedente operacional bruto) das empresas cresceu nesses períodos, pulando de 41,9% do PIB em 2002 para 43% em 2003. Segundo o IBGE, ?a fatia do lucro das empresas no PIB vem crescendo de forma consecutiva desde 1999 e, no ano passado, foi beneficiada pelo câmbio, que reduziu o pagamento de juros das empresas de R$ 70 bilhões em 2002 para R$ 58 bilhões em 2003, já que grande parcela dos empréstimos estava cotada em dólar?. Ih... O companheiro Lula do ABC não ia gostar de nada disso.