Opinião
Explos�o canavieira
Anteontem, no último dia de novembro de 2004, o Jornal da Globo ? o prestigiado telejornal de fim de noite da Rede Globo ? iniciou a exibição de uma série de reportagens que tem o título geral de Engenho Novo. A pauta tem como foco o perfil contemporâneo da produção de açúcar e álcool no Brasil e suas perspectivas. Alagoas, por toda a nossa longa história de intimidade com a cana-de-açúcar, deveria prestar atenção especial a esta série jornalística; afinal, desde os primeiros momentos pós-descobrimento, os derivados da cana formam a base econômica da região. Cinco séculos depois dos primeiros pães-de-açúcar brotarem dos engenhos rudimentares, Alagoas ? hoje com um moderno parque industrial operante ? não só segue nesta vocação como exporta tecnologia e até capitais para expandir a cultura sucroalcooleira para o resto do País. Expansão da atividade sucroalcooleira, esse é um dos motes da pauta do Jornal da Globo. 55 mil km2, essa é a extensão de terras plantadas de cana no Brasil, ?um território maior do que o da Holanda, maior do que todo o reino da Dinamarca? informa e exemplifica a Globo. A reportagem indica ainda que 330 usinas estão em pleno funcionamento em todo o Brasil, gerando pelo menos 300 mil empregos industriais diretos. Esse segmento está mobilizando investimentos da ordem de R$ 5 bilhões. No horizonte de todo esse crescimento, muitas perspectivas de valorização e aumento dos consumos de álcool e açúcar. Particularmente, o álcool dispõe de uma avenida à sua frente, reaberta pela necessidade urgente de serem encontrados combustíveis renováveis. Essa é uma urgência global, visto a finitude, aparentemente próxima, das reservas de petróleo. Com acerto a matéria da TV Globo avalia que o momento atual tem muitas diferenças com o tempo do Proálcool, o que é verdade (e precisa ser mais aprofundado). A euforia é parecida, mas, entre as diferenças fundamentais, duas podem ser listadas de cara: no momento atual não existe a indução governamental a esse entusiasmo sucroalcooleiro; e a demanda por novas opções aos derivados do petróleo não estão sendo geradas por circunstâncias conjunturais (como no passado se reagia aos constantes aumentos de preço determinados pelos produtores de petróleo). Hoje, as chances do álcool são muito mais claras. Alagoas deveria entender melhor todo esse processo para nele poder participar de forma ainda mais destacada.