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Opinião

As ameaças permanentes

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No início de uma aula de seu concorrido curso de História da Universidade de Harvard, o notório professor Cristian Handerson perguntou a seus alunos qual o líder eles escolheriam para conduzir o seu país em uma guerra mundial: “Seria um aleijado restrito a uma cadeira de rodas, ou um bêbado, que tomava seu breakfast já com champagne francesa, bebia sempre duas doses de uísque no almoço e, no jantar jamais desprestigiava o prato sem um bom vinho, sendo que a única mudança admitida era se o precioso derivado da uva era branco ou tinto, para harmonizar adequadamente com pescado ou carne, além de inevitavelmente auxiliar a digestão com um conhaque ,ou eles escolheriam um homem disciplinado e virtuoso, fisicamente vigoroso, apreciador dos esportes de alto desempenho físico, sempre vistosamente vestido, além de totalmente abstêmio, pois jamais tocava em álcool?”

Os seus alunos responderam em coro “Essa pergunta tem uma resposta fácil professor. Evidentemente professor, que escolheríamos o homem certo e mais apto para enfrentar uma guerra mundial, o homem virtuoso, disciplinado, abstêmio e fisicamente vigoroso!” O professor Cristian Handerson fez uma longa pausa, respirou fundo e disse aos seus alunos: “Parabéns, vocês acabaram de escolher Adolf Hitler e desprezaram o aleijado, o Franklin Delano Roosevelt e o bêbado, o Winston Churchill, justamente os homens que conduziram a vitória na luta da democracia contra o nazifascismo de Hitler na Segunda Guerra mundial”. Roosevelt fora acometido por poliomielite e era vítima de perversa sequela motora, e entre as suas contribuições para a humanidade, está o grande investimento em busca de vacinas para essa terrível virose. Recentemente, em um café da manhã realizado em um hotel da nossa orla, compartilhado por grupo de amigos e admiradores do pediatra e escritor Milton Hênio, um respeitável sanitarista, professor da UFAL e cofundador da Academia Alagoana de Medicina, exteriorizou a sua preocupação com os recursos públicos não estarem atrelados ao Executivo. Referência na saúde pública, explanou as suas preocupações com as sequelas da pandemia de Covid19 ainda vigente e as novas epidemias que segundo a ciência, são só questão de tempo para surgirem, mas também com o retorno de outras aparentemente abolidas, como a poliomielite , inclusive no país de Roosevelt, e em seu centro mais cosmopolita, Nova Iorque. A poliomielite é uma doença terrível, a história da Medicina, mostra a devastação que ela causou principalmente em crianças, deixando-as cativas das cadeiras de rodas e dos imensos aparelhos de respiração, pois além de outras estruturas do corpo humano, a enervação e a musculatura do diafragma eram comprometidas. A preocupação com a saúde pública é exacerbada pelos baixos índices de vacinação na poliomielite e o contingenciamento de recursos, e a alocação deles onde se possa priorizar os planos nacionais de saúde coletiva, que visam promover a saúde, conter as epidemias, instalar a prevenção e a detecção precoce de doenças prevalentes como cardiopatias, hipertensão arterial, câncer e diabetes. Persiste o desafio nacional: o SUS atende 90% da população, a saúde pública é uma das prioridades da população, e os recursos públicos precisam ficar sob a gestão dos ministérios, como na Saúde e Educação – em íntima associação e colaboração com os gestores estaduais e municipais - independente de qual seja o governo. A prevenção sempre é mais eficaz e barata do que os tratamentos das doenças que elas podem prevenir.

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