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Opinião

Ouro negro

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Encontrado mais petróleo em Alagoas. Do ponto de vista das raízes recentes da cultura alagoana, tal achado não é novidade. Desde os primórdios do século XX, quando ficou clara a importância do óleo de pedra para grupos de nacionalistas e intelectuais brasileiros, alagoanos se colocaram na linha de frente e apostaram que aqui, se cavando, dava petróleo. Nos anos 30 do século passado essa esperança pode ser encontrada com muita facilidade nas produções culturais de então, donde se destaca o romance Riacho Doce e o filme Casamento é negócio? Relembrando: Riacho Doce foi escrito pelo paraibano José Lins do Rego, que residia em Maceió naquele tempo e conta uma história de amor que o pano de fundo é a vinda de um casal de estrangeiros para a capital alagoana (ele vem como técnico em exploração de petróleo para pesquisar jazidas em Riacho Doce). O filme é de autoria do italiano Guilherme Rogatto e conta outra desventura amorosa, num cenário onde a descoberta de petróleo no Litoral Norte dá novo alento à vida do mocinho. Nos anos 60, Alagoas sofreu um baque em seu amor-próprio com a transferência da sede regional da Petrobras para a cidade de Aracaju. Durante muitos anos, a voz corrente nas ruas e rodas de bate-papo era que nosso Estado havia sido vítima de grave discriminação política (culpa dos políticos alagoanos, que nunca se uniam, dizia-se na época). Figura recorrente nesses debates das décadas 60 e 70 era a suposta ?maquinação externa? contra o petróleo alagoano, boatos que já mostram sua presença no citado filme de 1930. Nos anos 60 e 70 muitos acreditavam que forças mais ou menos ocultas teriam interesse em esconder o petróleo alagoano. Como sempre, havia quem visse nos americanos os vilões da história. Dos anos 80 em diante esses mitos populares foram se desvanecendo e no início de século XXI praticamente ninguém fala mais nisso, poucos se lembram que a Petrobras já teve sede em Alagoas e menos pessoas ainda se detêm para conhecer obras como Riacho Doce ou o (quase desconhecido) velho filme de Rogatto. Eis que surge petróleo novamente em Alagoas, exatamente a maior jazida descoberta no Estado desde 1981, quando o óleo negro jorrou no Pilar. Não se sabe se a euforia petroleira retornará às mentes e aos corações alagoanos. Mas é um reencontro digno de se comemorar.

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