Opinião
Política energética sem visão estratégica
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Tem sido objeto de polêmica a Medida Provisória (MP) aprovada pela Câmara dos Deputados, que prorroga por mais dois anos os subsídios às fontes incentivadas, como energia eólica e solar fotovoltaica. Em meio às discussões, porém, relega-se uma questão crucial e mais relevante: é premente estimular outras energias renováveis, de acordo com sua aplicação.
O Brasil precisa diversificar sua matriz energética, para que não fique refém de poucas fontes, como as hidrelétricas, que dependem das chuvas e cuja capacidade de exploração já está esgotada. A necessidade de fontes cada vez mais renováveis e não poluentes representa um desafio prioritário. Para as empresas, em especial a indústria, e as famílias, a questão tem representado ônus, com aumento significativo das tarifas de eletricidade, agravado pela recente crise hidroenergética. Uma das soluções é o aquecedor solar, cujo parque hoje já instalado no País significa energia equivalente à produzida pela Usina Hidrelétrica de Itaipu, de aproximadamente 14 GW. Entretanto, o aquecedor solar, que foi ignorado na MP, já faz parte, desde este ano, do relatório do Balanço Energético Nacional (BEM). Apesar disso, tem recebido poucos incentivos dos governos. Poderiam (e deveriam!) ser mais utilizados em projetos habitacionais do setor público e ter sua aplicação mais difundida nas casas, indústrias, comércios, hospitais, hotéis e outros empreendimentos.
O sistema absorve os raios do sol para aquecer grande volume de água, mantido por vários dias em um ou mais reservatórios térmicos, que funcionam como uma espécie de bateria de armazenamento. Os equipamentos têm durabilidade de mais de 30 anos e geralmente só exigem uma limpeza simples anual. Trata-se de tecnologia nacional, que gera empregos, renda e investimentos, e contribui muito para a solução dos desafios energéticos do Brasil. Os aquecedores solares de água são quatro vezes mais eficientes do que os painéis fotovoltaicos e a melhor alternativa para substituir o consumo, por exemplo, dos chuveiros elétricos, que sobrecarregam muito o sistema no horário de ponta (entre 17 e 21 horas), representando mais de 7% de toda a eletricidade gasta no Brasil e cerca de 37% da residencial.
Diante destes fatores positivos, é incompreensível como os aquecedores solares seguem alijados do debate sobre políticas públicas e projetos de lei referentes ao setor energético. Parece faltar uma visão estratégica e contemporânea do tema, como se não precisássemos de novas fontes, limpas e renováveis, para mover o País.
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