Opinião
Outubro Rosa durante o ano todo
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A gente achava que escritório em endereço sofisticado e agenda cheia era sucesso. Aí veio 2020 e a parada forçada que foi também chance de refletir sobre as próprias escolhas. De pensar sobre o que queremos fazer com nosso tempo nesta terra.
Com isso, teve gente que resolveu dar adeus ao velho mundo do trabalho, do comando e controle, das chefias tóxicas na onda global de pedidos de demissão. A tendência seguinte foi batizada de desistência silenciosa: o funcionário faz apenas o contratado, nada mais, nada menos. Os movimentos no mundo empresarial que seguiram a pandemia nasceram da legítima necessidade de mudança nas relações de trabalho. Ninguém sonha em levar só o corpo para o expediente e deixar a alma em casa. É uma adaptação. Se a liderança quer pessoas engajadas, que cuidam de suas áreas como donas do negócio, é preciso entrar na lógica da reciprocidade. Já não basta um brinde no mês de março para as mulheres. É necessário trazer ritmo e constância para as ações de saúde mental. O Outubro Rosa é uma oportunidade de revisão na forma como nos relacionamos dentro das empresas. O lembrete sobre autoexame de mamas é ótimo. Melhor ainda é trazer a mentalidade do autocuidado para a rotina. O autocuidado é o mais importante dos sete pilares que sustentam a autoestima feminina. A interseção entre autoestima feminina e performance é meu tema de pesquisa há mais de uma década. Meu primeiro livro sobre o tema é de 2015. A alta performance de uma mulher não vem apenas do currículo. Vem da capacidade de cumprir os compromissos que assumiu consigo mesma. Não apenas com os outros.
Para que isso aconteça, para que uma colaboradora adote os micro comportamentos de autocuidado que vão assegurar autoestima e performance, ações pontuais em março e outubro não bastam. O corpo é o diário que as emoções escrevem. Diário. O ambiente de trabalho, onde se passa a maior parte do dia, é chave nesse enredo. Ansiedade, pressão, frustração escrevem ‘páginas’ de autoestima quebrada e performance em soluços. Abertura, harmonia e atenção escrevem histórias de bem-estar e resultado constante.
Não é abstrato, nem caro. É uma questão de mudança de cultura. É a decisão de colocar no calendário de atividades - workshops, rodas de debate, eventos com especialistas - com foco em saúde mental. O corpo é o livro que as emoções escrevem. Como andam as páginas na sua organização?
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