loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

Ciclistas abandonados

Ouvir
Compartilhar

Por volta do meio-dia da sexta-feira, uma cena manchava a beleza da Pajuçara. De longe, já chamava a atenção o veículo de médio porte, tipo caminhonete, com um buraco de razoáveis proporções (mais ou menos do tamanho de uma bola de futebol) marcando o estilhaçamento do pára-brisa. Vista de mais perto, a cena anunciava uma tragédia. Ao lado do pneu dianteiro direito do veículo, uma bicicleta no chão. De mais perto ainda, a cena ficava ainda mais chocante com a dramática coloração de sangue nas bordas do buraco aberto no pára-brisa. Tudo indicava um atropelamento onde o ciclista teria sido atirado, de cabeça, contra o vidro ? e o que mais poderia advir daquela cena? Poder-se-ia matutar bastante tentando adivinhar os detalhes de como poderia ter acontecido a tragédia, o que seria trabalho desnecessário uma vez que a perícia, já no local, certamente esclareceria logo o como e o porquê daquela terrível cena. Deixemos o levantamento de tudo isso para a perícia e para as testemunhas. E vamos raciocinar um pouco sobre o tema. Tema simples de se entender: cada dia fica mais perigosa a convivência de bicicletas, motos e veículos de todos os tamanhos nas ruas de Maceió. A razão também é simples. Tem crescido enormemente o número e a variedade de veículos, tem sido multiplicado o volume de trânsito nas principais artérias e a nada de significativo tem sido feito para enfrentar esse problema. Vejamos o caso específico das bicicletas. Quantas bicicletas circulam em Maceió? Alguém sabe? Se esse é um número conhecido pelos pesquisadores, são desconhecidos os resultados desses levantamentos e não existem quaisquer iniciativas dos órgãos responsáveis pelo trânsito que venham a demonstrar que as autoridades sabem algo sobre a quantidade e as necessidades dos ciclistas em nossa capital. Difícil fica dizer, em qualquer cena de acidente, inclusive nessa chocante paisagem que inspirou esse editorial, quem seria o culpado. Qualquer pessoa que circule por Maceió sabe que a anarquia é absoluta quando se trata da relação ciclista e motorista ? simplesmente não há regras práticas para essa convivência em movimento. Não existem quaisquer orientações em qualquer sentido. De quem é a culpa, afinal? Não pode restar dúvidas: o primeiro culpado é o poder público, pela desorientação geral e irrestrita que impera nas ruas de Maceió no tocante a normas práticas de trânsito para bicicletas ? um meio de transporte cada vez mais usado pela população.

Relacionadas