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Nº 5714
Opinião

Bananas

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Por Marcos Davi Melo - médico e membro da AAL e do IHGAL | Edição do dia 05/11/2022 - Matéria atualizada em 05/11/2022 às 04h00

Em um vídeo que circulou nas redes sociais nesses dias tumultuados depois das eleições de 30 de novembro de 2022, um ônibus de usuários acochados naquele calorzão tentava passar pelos bloqueios da avenida Fernandes Lima, os comentários dos usuários do coletivo superlotado sobre os bloqueadores da via pública eram de incompreensão diante daquele grupo claramente bafejado por superiores condições de vida, que resistia ao resultado das urnas.

Hás tempos que a grande imprensa internacional e seus principais jornais e televisões não destacava esses episódios antidemocráticos no maior país da América Latina. O The Guardian, tradicional companheiro do breakfast dos britânicos, em seu editorial reutilizou interrogativamente a aposentada expressão “república das bananas”? Usado antigamente de forma pejorativa para se referir a países da América Latina e Caribe. O termo foi cunhado pelo escritor americano William Sydney Porter, conhecido como O. Henry no conto O Almirante, de 1904.A história do conto se passa na Anchuria, país fictício descrito pelo autor como “uma pequena república de bananas”. Acredita-se, porém, que Porter tenha se inspirado em Honduras, onde morava quando escreveu a história. Segundo ele, as “repúblicas de bananas” eram literalmente os países tropicais produtores de bananas e, com isso, dependentes da renda de empresas americanas. O historiador Luís Ortega descreve como até o fim do século 19 e começo do século 20, as empresas americanas, entre elas, a United Foods ( hoje Chiquita) bancavam a ascensão e queda de ditadores inescrupulosos na região.

A América Latina, continua com imensos problemas, mas nos últimos 30 a 40 anos, a democracia tem sido respeitada (com raras exceções como a Nicarágua, Cuba e a Venezuela), e governos de direita e esquerda tem se revezado pacificamente. A atual predominância da esquerda na região, não é uma consolidação, pois os desafios econômicos e sociais são elevados e irresolvíveis a curto prazo e é inevitável os revezamentos de propostas e de governantes. O fundamental é manter a democracia, as suas instituições e a imprensa livre.

Desde a redemocratização nacional, o exercício da democracia assegurou o revezamento no poder Executivo, superando imensos desafios como uma hiperinflação, dois impeachments de Presidentes da República, duas prisões de ex-presidentes da República, enfrentados e resolvidos sem instabilidades institucionais e desordens públicas, obedecendo a liturgia dos cargos, como país desenvolvido democrática, civilizada e pacificamente. Infelizmente, isso foi rompido, antes, durante e depois do segundo dessa eleição :um notório aliado do chefe do Executivo atirou com balas e granadas contra a Polícia Federal, outra saiu correndo na rua, perseguindo um homem negro armada com uma pistola. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi acusada de bloquear ônibus de eleitores no Nordeste, e de ser conivente com os bloqueios criminosos de rodovias que usaram crianças, idosos e trouxeram elevados prejuízos à população e ao setor produtivo. Felizmente, as consolidadas instituições nacionais reagiram e mostraram que não somos uma “república de bananas “e jamais voltaremos a sê-lo. Com o respaldo e apoio das maiores nações do mundo, inclusive e principalmente os EUA da United Foods, hoje Chiquita.

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