Opinião
As lições do Terceiro Setor
.
O Brasil é um gigante. O quinto maior país em extensão territorial e com a sexta população do mundo. Somos quase 215 milhões de habitantes. Podemos dizer que, num país com essas dimensões, todos temos acesso aos mesmos direitos fundamentais? A resposta é não. Ainda falta muito para que o Estado garanta a igualdade entre todos. Aí é que entra o Terceiro Setor.
Em 50 anos de atuação, o Terceiro Setor deixou de ser coadjuvante na sociedade e hoje ocupa um lugar de protagonismo, ao lado de governos e gestores públicos - municipais, estaduais e federais. É hoje o setor que mais cresce no país e isso acontece porque as organizações da sociedade civil não são apenas assistencialistas, mas empreendedores sociais. O público alvo é, e sempre será, os mais pobres. Os que precisam de maior cuidado. Mas, o empreendedorismo social de hoje não quer apenas distribuir cestas básicas e prestar socorro em tragédias. Assistência social, apenas, não dá mais conta. É preciso inovação social: novos modelos, novas estratégias. O empreendedorismo social quer mudar realidades de forma perene, com pilares fincados na transformação por meio da educação, da qualificação e da geração de emprego e renda. Soluções efetivas para as disparidades sociais. Em tempos de pandemia, guerra e polarização política, o Terceiro Setor foi a terceira via que muitas pessoas buscaram. Ele mostrou - e mostra todos os dias como fazer mais com menos, atuar em rede, ser multisetorial, colaborativo, como ouvir as demandas e, principalmente, como unir os outros setores os três setores, 1o, 2o e 3o para encontrar soluções. Iniciaremos 2023 com novos governos. A futura governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, já sinalizou que vai investir na inovação social com apoio do Terceiro Setor. O futuro presidente Lula precisa fazer o mesmo: apostar em quem consegue chegar perto dos invisíveis. Se isso acontecer, teremos uma nova marca social no país, um novo modelo para vencer as desigualdades sociais.