Opinião
COMBATE À EXTREMA POBREZA
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Apesar do impacto da pandemia do novo coronavírus, o percentual de brasileiros vivendo em extrema pobreza em 2020 foi o menor já registrado na série histórica do Banco Mundial, iniciada em 1981. Ficou em 1,95%, abaixo dos 5,39% registrados em 2019, antes do impacto da Covid.
Em números totais, a redução foi de 11,37 milhões para 4,14 milhões de pessoas no período. Ou seja: 7,23 milhões de pessoas saíram dessa situação entre 2019 e 2020. O Banco Mundial adota, desde setembro, o limite de US$ 2,15 por dia para a faixa de extrema pobreza, em substituição ao US$ 1,90 usado anteriormente. A fatia de brasileiros nessa situação vinha numa trajetória ascendente a partir de 2014, quando o país Brasil entrou em recessão. Antes disso, houve uma longa trajetória de queda desse percentual, desde 2003. A explicação para a queda do contingente vivendo na extrema pobreza atende principalmente pelo nome de auxílio emergencial. A transferência de dinheiro de forma direta para famílias em situação de total vulnerabilidade garantiu os meios de sobrevivência para milhões de pessoas no País na fase mais aguda da pandemia, que levou a medidas restritivas e fechamento temporário de atividades não essenciais. O auxílio emergencial chegou a contemplar 68 milhões de pessoas, com a distribuição de R$ 354,6 bilhões, de acordo com o Ministério da Cidadania. O efeito de programas como esse já é conhecido no Brasil. De acordo com um levantamento do Ipea, em 2012 o número de pessoas que haviam abandonado a pobreza ultrapassou os 3,5 milhões graças a programas de transferência de renda, em especial ao Bolsa Família, e ao aumento do emprego e da renda. Em 2013, o Brasil era o 13º país que mais investia no combate à pobreza no mundo, em um ranking composto por 126 países em desenvolvimento, e chegou a servir de modelo para outras nações. Programas de transferência de renda são importantes e devem ser uma política de estado e não de governo. Entretanto, é preciso haver também um conjunto de ações estruturantes, que exigem mais tempo e organização.