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Nº 5715
Opinião

violência cotidiana .

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Por Editorial | Edição do dia 11/11/2022 - Matéria atualizada em 11/11/2022 às 04h00

Reportagem publicada na edição de hoje da Gazeta mostra que Alagoas registrou, de janeiro a outubro deste ano, 26 feminicídios. O número de ocorrências já é maior que todo ano de 2021, que teve 25 mortes. Os meses mais violentos foram janeiro e julho com seis vítimas cada um deles. Dos quatro feminicídios somente no mês de outubro deste ano, um ocorreu em Maceió, um em Arapiraca e restante em outros municípios.

O fato é que o Brasil convive com elevadas estatísticas de violências cotidianas praticadas contra mulheres – o que resulta em um destaque perverso no cenário mundial: é o 5º país com maior taxa de homicídios de mulheres. O estudo mais recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública sobre feminicídios mostra que, em 2021, uma mulher era assassinada, em média, a cada sete horas no país, só pelo fato de ser mulher. Já são 16 anos da Lei Maria da Penha e sete anos da criação deste tipo de homicídio no Código Penal.

No ano passado, cerca de 1.340 mulheres morreram por serem mulheres, enquanto em 2020 o número de vítimas foi pouco mais de 1.350. O anuário mostra que, no Brasil, 1 mulher é vítima de feminicídio a cada 7 horas. Isto significa dizer que, ao menos 3 mulheres morrem por dia simplesmente por serem mulheres. Os números vêm acompanhados pelo crescimento de outros tipos de violência contra mulheres, como lesão corporal dolosa, ameaças, estupros e emissão de medidas protetivas.

Todos os dias, um número significativo de mulheres, jovens e meninas são submetidas a alguma forma de violência no Brasil. Assédio, exploração sexual, estupro, tortura, violência psicológica, agressões por parceiros ou familiares, perseguição, feminicídio. Sob diversas formas e intensidades, a violência de gênero é recorrente e se perpetua nos espaços públicos e privados, encontrando nos assassinatos a sua expressão mais grave. Não há dúvida de que a Lei do Feminicídio foi um avanço no combate à violência contra as mulheres, mas ainda é preciso fazer mais. Há necessidade também de uma mudança cultural. Há no Brasil um problema muito sério, que é um machismo arraigado na sociedade, que muitas vezes serve para justificar as agressões. É necessário não apenas punir os agressores, mas trabalhar uma cultura de paz desde a educação, nas escolas e dentro de casa.

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