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Opinião

Noites felizes

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Mais um Natal está às nossas portas. Certamente é o período de maior comemoração conjunta em todo o globo, alavancado pela unidade dos cristãos em torno dos festejos pelo nascimento de Jesus. A universalidade desse momento de confraternização, em verdade, extrapola o mundo da cristandade pelo simples fato de festejar esse período ser hábito milenar, presente em várias culturas desde muito antes do nascimento de Cristo. Desde quando os humanos aprenderam a estudar as variações do tempo e dos dias, descobriram que se repete um dia especial, onde o tempo de luz do Sol é idêntico ao tempo das sombras da noite, entre outras coisas. Esse dia marcava a mudança de estação climática e indicava alterações para se fazer semeaduras e colheitas. Segundo os estudiosos do tema, essa tradição festeira teria começado há cerca de quatro mil anos, com egípcios e europeus celebrando o ?renascimento do Sol?. Depois, os romanos ali localizaram a ?Saturnália? (considerado o início do hábito da troca de presentes), dedicando a festa ao seu deus da abundância. Esse período, que marca o fim do inverno no Norte, nos calendários de nossos tempos, está localizado no dia 25 de dezembro (são dois os solstícios, sendo que o outro acontece no meio do ano, invertendo as estações inverno/verão nos dois hemisférios). Nos primeiros séculos do cristianismo, o nascimento de Jesus era comemorado em datas diferentes, e o Dia de Reis (6 de janeiro) era a mais comum no mundo latino. Apenas a partir do século IV, por determinação do papa Júlio I, ficou oficializado o dia 25 de dezembro como o aniversário de Cristo. No Brasil, construído sobre fortes lembranças da Europa antiga, são comemorados os dois solstícios (de verão, com as festas natalinas e de inverno, com as festas juninas) e os festejos de Natal são encerrados precisamente no Dia de Reis. Temos no Brasil, em termos de grandes festas populares, mais dois tesouros nas mãos. Não deveríamos nos concentrar apenas no terceiro tesouro, o carnaval. Especificamente em Alagoas, é marcante a força popular das festas natalinas; e com um pouco mais de apoio e planejamento do poder público, teríamos condições de ampliar em muito os benefícios dessa época por meio de um programa de festejos de grande porte, gerando emprego e renda e garantindo um precioso espaço no calendário turístico nacional. Em Alagoas, temos tradição para isso. Na verdade, podemos usufruir uma tradição que remonta a um tempo muito anterior aos descobridores aportarem a essas nossas belas praias.

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